Embrapa apresenta tecnologias de ponta no SuperAgro

Lebna Landgraf, Embrapa Soja
Manejo
 
Algumas das principais tecnologias para produção de soja serão debatidas pela Embrapa Soja com os participantes do SuperAgro, evento técnico promovido pelo Agro100, de 19 a 21 de janeiro de 2016, em Londrina (PR). No espaço de Ciência e Tecnologia, a Embrapa, o Instituto Agronômico do Paraná e Universidade Estadual de Londrina irão apresentar os avanços da pesquisa para técnicos e produtores.
 
Com foco nas demandas dos setores produtivos, a Embrapa mantem programas de melhoramento genético para o desenvolvimento de soja convencional e transgênica. O chefe-geral da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias, destaca que com o lançamento das cultivares IPRO e da soja Cultivance, a Embrapa passou a ter o mais completo portifólio de cultivares para a soja. "Isso garante aos produtores diferentes soluções competitivas e opções que melhor se adequem ao seu sistema produtivo", enfatiza Farias.
 
O programa de melhoramento genético da Embrapa tem 40 anos e é reconhecido pela expertise em tecnologia para regiões tropicais, o que traz embutidas características como alto potencial produtivo, estabilidade para diferentes regiões e garantia de qualidade fitossanitária. "Estamos associando a confiabilidade e a segurança da tradição com as vantagens da modernidade para que o produtor brasileiro seja mais competitivo no mercado internacional", avalia Farias. "Nosso foco é oferecer alternativas que aumentem a rentabilidade do produtor e garanta menor impacto ao ambiente", destaca. Além disso, a Embrapa irá discutir alguns dos principais desafios para a cultura da soja. Os produtores rurais terão informações sobre como reduzir a compactação do solo e ampliar a matéria orgânica com um bom manejo de solo e a utilização de plantas como crotalária e braquiária. Os pesquisadores Henrique Debiase e Júlio Franchini irão ministrar palestra sobre o tema nos três dias de evento. O Iapar irá demonstrar a utilização de braquiária consorciada com milho.
 
Também merece destaque o debate sobre refúgio em áreas de adoção da tecnologia Intacta. A tecnologia, ao mesmo tempo em que confere proteção a algumas espécies de lagartas, também pode, a longo prazo, selecionar insetos resistentes, afirma Daniel Sosa Gómez, da Embrapa Soja. Por isso, a Embrapa defende a manutenção de um Programa de Manejo Responsável no campo que envolve a adoção de práticas de manejo sustentável. Entre as diversas medidas, recomenda-se o cultivo de área de refúgio: percentagem da área (no mesmo talhão) com a mesma cultura não-Bt. O objetivo é manter a população de insetos suscetíveis à toxina para que haja o acasalamento com os indivíduos potencialmente resistentes - provenientes das áreas com plantas Bt - retardando, assim, a seleção de insetos resistentes à tecnologia.
 
Outro tema relevante para ser discutido com os produtores é Fixação Biológica do Nitrogênio, que é um processo que substitui o uso de adubos nitrogenados nas lavouras de soja. A pesquisadora Mariangela Hungria explica que para produzir 1 tonelada de soja são necessários cerca de 80 kg de nitrogênio. Esse nutriente é o mais requerido pela cultura e pode ser obtido gratuitamente na natureza, por meio de algumas bactérias do gênero Bradyrhizobium (risóbios). De acordo com a pesquisadora, essas bactérias são capazes de capturar o nitrogênio da atmosfera e transformá-lo em fertilizante para as plantas. A fixação biológica do nitrogênio dispensa a utilização de fertilizantes nitrogenados; produtos que além de aumentar os custos de produção, podem ser prejudiciais ao ambiente. Estimativas indicam que a não utilização destes adubos, em 30 milhões de hectares de soja no Brasil, resulta em uma economia de US$ 12 bilhões por ano.
 
Estratégias antiresistência para ferrugem da soja - No caso da ferrugem asiática da soja, o custo médio anual para o controle da doença no País é de cerca de US$ 2 bilhões por safra. E apesar da contribuição que os fungicidas proporcionam ao controle da ferrugem, uma redução da eficiência desses produtos vem sendo observada, devido ao uso intensivo desde 2001, quando o fungo foi relatado no Brasil. Os fungicidas utilizados no controle da ferrugem pertencem a três grupos (Inibidores de desmetilação - DMI -, Inibidores da Quinona Oxidase - QoI - e Inibidores da Succinato Desidrogenase - SDHI). Ao ser identificada no Brasil, a ferrugem asiática foi controlada com a aplicação de fungicidas do grupo dos DMIs, isolados ou em misturas, e dos QoIs. Alguns DMIs apresentavam alta eficiência de controle, mesmo quando usados isoladamente, com eficiência semelhante às melhores misturas, lembra a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja. No entanto, a partir da safra 2007/08, resultados de ensaios cooperativos realizados pelo grupo de pesquisadores do Consórcio Antiferrugem (www.consorcioantiferrugem.net) em várias regiões brasileiras, mostraram redução de eficiência de alguns DMIs. "Esse problema tem sido associada à seleção de populações do fungo menos sensíveis aos fungicidas desse grupo", explica Godoy.
 
Entre as estratégias antiresitência para o manejo eficiente da ferrugem estão: incluir todos os métodos de controle de doenças, dentro do programa de manejo integrado; utilizar sempre misturas comerciais formadas por dois ou mais fungicidas com modo de ação distintos; aplicar doses e intervalos recomendados pelo fabricante; evitar mais que duas aplicações do mesmo produto em sequência e utilizar no máximo duas aplicações de produtos contendo SDHI por cultivo e não utilizar SDHI quando a doença estiver bem estabelecida. Saiba mais sobre a principal doença na cultura da soja. Acesse: www.embrapa.br/soja/ferrugem
 
Serviço
Participação da Embrapa no SuperAgro
Data: 19 a 21 de janeiro
Horário: 8h às 21h
Local: Londrina (PR) Rodovia Luiz Beraldi (estrada da Cegonha)