Embrapa estuda variabilidade genética de pitaya

Embrapa Cerrados estuda o melhoramento genético da cultura da pitaya. Essa fruta exótica vem se destacando no mercado, mas ainda não há uma cultivar que atenda às necessidades climáticas de produção no Brasil.

Redação
Melhoramento genético

Pertencentes à família das cactáceas, as pitayas vêm se destacando no mercado de frutas exóticas. No Brasil, existem pequenas áreas de produção localizadas na região de Catanduva (SP) e a produtividade média anual é de 14 toneladas de fruto por hectare. Em que pese a existência de demanda comercial, ainda não há uma cultivar lançada no mercado que atenda às necessidades climáticas de produção e às exigências do consumidor brasileiro. Pensando nisso, a Embrapa Cerrados realizou um estudo voltado ao melhoramento genético da cultura no ano de 2007.
 
Foi realizado um trabalho acerca da variabilidade genética de 16 acessos de pitaya vermelha (Hylocereus undatus), apresentando diferentes características fenotípicas relacionadas especialmente à produção. Para tanto, foram empregados marcadores moleculares RAPD (Random Amplified Polymorphic DNA).
 
Como resultado, os marcadores RAPD mostraram-se excelentes ferramentas para detectar a variabilidade genética em pitayas. As distâncias genéticas entre os 16 acessos variaram entre 0,006 e 0,148. As maiores distâncias genéticas foram obtidas entre os acessos “52” e “61”.
 
Já a análise de agrupamento, realizada com base nessas distâncias genéticas, permitiu subdividir os 16 acessos em pelo menos quatro grupos de similaridade.
 
O maior grupo foi formado por 10 dos 16 acessos. Dentro deste grupo, pode-se verificar o agrupamento da maioria das plantas que produziram mais de um fruto na safra de 2007 (“51”, “33”, “55”, “63”, “13” e “28”), havendo significativo agrupamento das plantas mais produtivas.
 
Outro grupo foi formado apenas pelo acesso “52”, que produziu mais de 25 frutos; e o terceiro grupo foi constituído pelos acessos “19”, “59”, “26” e “1”, sendo que as três últimas não produziram frutos na safra de 2007.
 
O último grupo foi formado pelo acesso “61”, que não produziu frutos em 2007, porém,
apresentou alto vigor.

O trabalho da Embrapa Cerrados conclui que os marcadores moleculares RAPD mostraram que, mesmo dentro da mesma espécie, há variabilidade genética entre plantas com produções diferentes, ressaltando a importância das técnicas moleculares como instrumentos auxiliares na seleção de matrizes. Tal fato poderá subsidiar futuros trabalhos de avaliação agronômica dessas variedades, principalmente, objetivando o lançamento de uma cultivar de pitaya no mercado.