A Embrapa Semiárido já domina a tecnologia necessária para orientar a produção de insetos predadores de pragas dos mais diversos cultivos em escala comercial. Além de proporcionar uma alternativa mais econômica com forte apelo ambiental, o novo mercado do controle biológico demonstra grande potencial de crescimento. Analista da área de transferência tecnológica da unidade, Mizael Felix da Silva Neto, diz que, em linhas gerais, a proposta é fornecer suporte técnico por meio da incubação de empresas. Atualmente, a negociação de parceria com a Incubatec, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, vem discutindo o formato prático para a iniciativa.
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Diferente dos tradicionais dias de campo, unidades demonstrativas, cursos e palestras, o modelo sugerido conta com uma empresa detentora do conhecimento, uma incubadora de base tecnológica voltada para o agronegócio e possíveis empreendedores. A tecnologia para produzir insetos predadores e parasitóides está pronta para atender a diversas cadeias produtivas, mas o investidor que assumir o risco vai precisar de uma infra-estrutura laboratorial para montar um plano de negócio que viabilize a comercialização.
Especialista no tema, a pesquisadora Beatriz Jordão Paranhos destaca o fato de o controle biológico ser um mecanismo, natural em ambientes agrícolas saudáveis, que pode ser manipulado com a liberação sistematizada de predadores nas lavouras atacadas. No entanto, o mais importante é promover um ambiente propício a esses predadores com a preservação das plantas daninhas e matas no entorno das culturas.
De acordo com ela, uma joaninha nativa do Brasil (Zagreus bimaculosus), outra de origem australiana (Cryptolaemus montrouzieri) e o Chrysoperla externa estão disponíveis para controlar insetos de corpo mole, como cochonilhas, pulgões, mosca branca, mosca negra, ácaros e tripes. Já, a micro vespa (Trichogramma pretiosum) parasita ovos de mariposas e borboletas.
— É necessário conhecer bem o ciclo biológico do inseto, como ele sobrevive, quais e quantas são as presas consumidas e o tempo para atingir a fase adulta. Por exemplo, as joaninhas se alimentam das pragas tanto na fase de larva quanto na fase adulta. Já o Chrysoperla externa se alimenta da praga só na fase de larva, na fase adulta se alimenta de néctar e pólen. Tem que se fazer vários estudos sobre comportamento e características de sobrevivência e atividade dos inimigos naturais. O predador come a presa e o parasitóide parasita o hospedeiro — revela a pesquisadora.
Monitoramento constante das pragas iminentes e utilização de insumos menos tóxicos e seletivos são as recomendações principais para os agricultores. Segundo Beatriz, é fundamental que os produtores entendam que as infestações são medidas pela concentração de insetos e não pela simples presença deles.