Desde a primeira ocorrência detectada nas lavouras de trigo do Paraná, na década de 1980, a brusone já foi responsável por diversas epidemias causando prejuízos expressivos para os produtores do Centro-Sul do país. A partir de março deste ano, com a instalação de experimentos no Paraná, Mato Grosso do sul, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, a Embrapa Trigo dará início ao mapeamento do fungo responsável pela doença, sob a liderança da pesquisadora Gisele Torres.
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Pesquisador da área de genética e melhoramento de plantas, Marcio Só e Silva conta que, no ano passado, lavouras localizadas na faixa entre o norte paranaense e o sul de São Paulo chegaram a registrar 100% de perdas da safra. Devido ao calor e às chuvas atípicas entre os meses de julho e setembro, o patógeno Pyriculária, apto a se desenvolver em ambientes com longos períodos de molhamento e temperaturas superiores a 24 graus encontrou o clima ideal para se multiplicar.
— A Pyriculária é endêmica nessa região. O patógeno sobrevive nas gramíneas perenes. Então, no momento em que as condições climáticas se tornam favoráveis para o aparecimento do fungo, ele migra para as plantações de trigo — explica ele.
O ataque atinge as folhas, mas se concentra nas espigas da planta, comprometendo os grãos ainda em fase de formação. Além disso, a indisponibilidade de cultivares resistentes e de produtos que promovam um controle químico mais eficiente potencializa bastante os riscos.
A expectativa é que o estudo genético dessas amostras do patógeno viabilizem os testes de identificação de genes tolerantes à ação da brusone para o desenvolvimento de materiais mais satisfatórios. No entanto, Silva enfatiza que a transferência efetiva dessa etapa de aprofundamento de informações para as aplicações práticas do estudo será um longo processo.
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O ataque atinge |
