Embrapa Uva e Vinho avalia adubação nitrogenada em videiras na Campanha RS

Para um bom rendimento na uva e nas características químicas do mosto, faz-se necessária a aplicação de nitrogênio, proporcionando assim um crescimento vegetativo

Aline Jesus
Adubação

Com a ampliação de fronteiras agrícolas, áreas de campo natural da Campanha gaúcha, foram incorporadas aos sistema de produção de uvas. Estas áreas possuem baixa capacidade de fornecimento de nitrogênio para a videira; em razão da localização dos vinhedos em solos com textura arenosa ou média e pelo baixo teor de matéria orgânica. Com isso, para um bom rendimento na uva e nas características químicas do mosto, faz-se necessária a aplicação de nitrogênio, proporcionando assim um crescimento vegetativo.

A Comissão de Química e Fertilidade do Solo, no Rio Grande do Sul, indica a dose de nitrogênio para a cultura da filha da videira a partir do seu teor total na folha completa ou pecíolo e na expectativa de produtividade. Nesta prática é recomendável a aplicação parcelada durante o ciclo vegetativo das plantas. Por outro lado, dentro desta recomendação não é necessário considerar a relação entre a aplicação de nitrogênio no solo, a quantidade do nutriente absorvida e o rendimento obtido sobre as características químicas da uva e do seu mosto.

Para obter informações sobre o melhor manejo do nitrogênio, a Embrapa Uva e Vinho avaliou o efeito do nutriente no rendimento de uva e nas características químicas de seu mosto, em videiras cultivadas na Campanha gaúcha. O experimento consistiu em seis doses de nitrogênio (0, 15, 30, 45, 60 e 85 quilos por hectare) sendo 50% no início da brotação,  25% na brotação e 25% na floração.

Ao final do experimento, os pesquisadores constataram que a adubação nitrogenada em videiras Cabernet Sauvignon, na região da Campanha, não afetou a produção de uva e seus componentes de rendimento. Para eles, este resultado ocorreu porque as condições de umidade do solo foram adequadas, além das temperaturas amenas durantes o ano que favoreceram  a mineralização da matéria orgânica. A aplicação de doses de nitrogênio aumentou o número de cachos por planta e a massa de cem bragas de uva. Percebeu-se também um aumento dos valores de acidez total, ácido tartárico, ácido málico e nitrogênio amoniacal no mosto. Por outro lado, com as mesmas doses de nitrogênio houve diminuição dos valores de antocianinas, originando vinhos de pouca coloração.