Enfermidades digestivas geram prejuízos à suinocultura

A ação de agentes infecciosos reduz de 5% a 15% o peso animal e é evitada com higiene dos criatórios e atenção às diversas fases da criação dos leitões

Breno Fonseca
Sanidade Animal

Divididas de acordo com as fases da produção suína, as enfermidades digestivas afetam o desempenho de leitões contaminados pelos chamados agentes infecciosos. Apesar de não causarem um número expressivo de mortes, doenças como a ileíte, coccidiose e colibacilose são responsáveis pela redução de 5 a 15% no ganho de peso do animal. É o que alerta o pesquisador Nelson Morés, da Embrapa Suínos e Aves.

|BARRA_AUDIO|

Até os 15 dias de idade, na fase de maternidade, as enfermidades frequentes são a colibacilose, a coccidiose e a clostridiose. A primeira delas é prevenida com a utilização de vacinas nas porcas. Já a coccidiose, causadora da atrofia do intestino e consequentemente da menor absorção de nutrientes, requer tratamento metafilático preventivo no terceiro ou quarto dia de vida dos filhotes. E, por último, a clostridiose, de difícil controle, com o uso de antidiarréicos. O pesquisador ressalta que, além de remédios, o produtor deve se atentar para que bebês ingiram o máximo de colostro durante o período de amamentação e estejam em locais com temperatura ambiente de 30 a 33°.  

— Os agentes estão presentes nas criações se suínos. Eles só ficam na dependência dos fatores de risco para exercer o seu efeito patogênico. No leitão, logo após o desmame, se há um resfriamento noturno, ele pode desenvolver a colibacilose — comenta Nelson Morés, que informa que durante a creche, especialmente nos primeiros 15 dias após o desmame, há incidência da doença do edema e da colibacilose, que neste caso tem como causa a transição da alimentação com leite da mãe para a ração. Na passagem da creche para a fase de crescimento e terminação, o pesquisador destaca a ileíte, diarréia pastosa e, por vezes, aquosa e sanguinolenta, e a disenteria suína.Essas são enfermidades que podem levar o animal ao refugamento e até mesmo à morte.  

— O diagnóstico do tipo de agente infeccioso que está causando a diarréia é muito importante e tem que ser feito na fase inicial da doença. O suinocultor tem que chamar um profissional para coletar material dos animais quando eles começam com a diarréia. Geralmente recomendamos selecionar animais para enviar para necropsia no primeiro ou segundo dia da doença, que é no momento em que se diagnostica as principais lesões e o agente está realmente presente — aconselha Nelson, completando que os porcos enviados ao laboratório não devem ser medicados com antibióticos, pois isso mascara os resultados dos exames. 

Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Suínos e Aves pelo telefone (49) 3441-0400