Enzimas capazes de agir contra pesticidas

Tecnologia prevê a síntese de catalisadores que atuem em favor da purificação de lençóis freáticos

Breno Fonseca
Sanidade Animal

Pesticidas organofosforados têm sido amplamente utilizados no meio agropecuário e representam um dos principais causadores de intoxicações acidentais em animais e humanos. Para diminuir o índice de produtos tóxicos em lençóis freáticos, a pesquisadora Annelise Caselatto, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), iniciou em abril deste ano o trabalho “Desenvolvimento de complexos com potencial atividade biorremediadora”, inspirado nas enzimas que são capazes de hidrolisar os pesticidas para sintetizar compostos em maior quantidade.

A pesquisadora explica que tais enzimas possuem a capacidade de quebrar as moléculas de pesticidas organofosforados, o que gera compostos menos tóxicos para o meio ambiente. Desta forma, o estudo tem por objetivo formar uma série de novos complexos de coordenação que sejam capazes de atuar como catalisadores na reação com os pesticidas. Para que isso aconteça, metais são inseridos nos esqueletos orgânicos, sendo utilizados conceitos de química inorgânica no intuito de caracterizar os compostos e analisar a reatividade deles.

Hoje, a pesquisa ainda está na etapa de síntese dos compostos. De acordo com Annelise, é preciso primeiro entender as estruturas moleculares, ou seja, como os átomos estariam ligados. Só depois serão feitos os estudos de reatividade, atribundo-a à propriedade dos compostos.

— Assim que tivermos todos os compostos  purificados e carteirizados, vamos partir para testes in vitro com substratos modelo, ou seja, com moléculas que imitam esses pesticidas organofosforados para enxergar como e quanto eles reagem — explica a professora.

Após a fase de caracterização, é analisada a reatividade dos compostos e, em seguida, iniciada a segunda fase da pesquisa, com o encapsulamento deles em alguma matriz para a purificação de redes de água contaminadas. Annelise reconhece que o uso de pesticidas organofosforados ainda é uma complicação. Mesmo com a diminuição do uso, o nível de contaminação ainda é muito alto. As metas da pesquisa são justamente contribuir para que a população não corra riscos e dar maior segurança aos agricultores que estão diretamente em contato com o tipo de molécula do pesticida.