A Epagri firmou parceria inédita com a SBW do Brasil Agrifloricultura Ltda., localizada em Holambra, no interior de São Paulo e vencedora da licitação finalizada no dia 13 de julho passado, autorizando a multiplicação, pré-aclimatação ou aclimatação e comercialização das mudas micropropagadas de bananeira a partir de materiais genéticos selecionados e fornecidos pela Epagri. A SBW é, portanto, a única biofábrica de plantas brasileiras, produtora de mudas in vitro, credenciada e licenciada para este fim.
A Epagri, através da Estação Experimental de Itajaí, já vem desde 1981 realizando trabalhos de pesquisa, melhoramento e seleção de materiais de bananeiras que apresentam características agronômicas importantes de produtividade, altura das plantas, resistência e tolerância, adaptabilidade, dentre outras. Entre os materiais da Epagri a serem multiplicados e comercializados pela SBW, destacam-se as novas cultivares ‘SCS451 Catarina’ e ‘SCS452 Corupá’, recém-registradas no Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Segundo o pesquisador Luiz Alberto Lichtemberg, a ‘SCS451 Catarina’ é um mutante natural do subgrupo Prata, originário da variedade Branca, selecionado em 1999, no município de Sombrio, SC. Em estudos realizados em Itajaí e Urussanga, este material apresentou vantagens comparativas em relação à ‘Prata Anã’ (principal cultivar do subgrupo Prata, também conhecida como ‘Enxerto’), por produzir cachos e frutos maiores, por apresentar melhor coloração de casca e por ser um pouco mais tolerante ao “mal-do-panamá”. Já a ‘SCS452 Corupá’ é um mutante natural do subgrupo Cavendish, originário da cultivar Nanicão, selecionado em Corupá, em 1987, cuja principal vantagem é o menor porte da planta, em relação à Nanicão, o que permite o uso de maiores densidades de plantio e facilita o manejo das plantas, informa Lichtemberg.
Embora os produtores de banana, não só em Santa Catarina, mas em outros estados do Brasil, tenham demonstrado interesse em adquirir e testar estes materiais, muitas vezes este desejo não pode ser concretizado. “De fato. Além do foco principal da Estação Experimental de Itajaí ser a pesquisa, a capacidade de produção do seu laboratório de micropropagação é limitada”, explica o chefe da EEItajaí, Henri Stucker, destacando que falta, também, estrutura comercial para viabilizar a comercialização eficiente destas mudas em nível nacional ou internacional. Foram essas dificuldades que levaram a Epagri a buscar, no mercado nacional, um parceiro que pudesse desempenhar este papel com mais eficiência. “A empresa contratada, no caso a SBW, passa a receber a licença de propagação e comercialização dos materiais selecionados da Epagri e, em contrapartida, paga um percentual sobre as vendas que efetuar”, informa Henri.
A SBW do Brasil Agrifloricultura Ltda.
A SBW do Brasil foi a biofábrica de plantas selecionada para esta missão. “Esta parceria com a Epagri é muito importante para a nossa empresa e estamos muito satisfeitos com o resultado desta licitação”, afirmou a Diretora Comercial da SBW do Brasil, Conny de Wit, revelando que a empresa, desde que foi fundada, sempre trabalhou em parceria muito próxima com empresas de pesquisa e melhoramento, e por isto entende muito bem que o trabalho de P&D necessita de um foco bem distinto ao do trabalho de produção e comercialização em larga escala. “Sabemos que se o pesquisador puder se concentrar na pesquisa e ser remunerado por isto, os resultados e benefícios para todos, principalmente aos produtores, serão muito maiores e, por esse motivo, estamos seguros de que produzir mudas destes materiais da Epagri, a partir de matrizes selecionadas pelos próprios pesquisadores, é a melhor opção”, destaca Conny.
A SBW do Brasil pode concentrar-se em produzir uma muda de qualidade oferecendo estas mudas aos produtores do Brasil e do mundo, acompanhadas de certificação de origem e fitossanitária. O produtor se sente mais seguro e confiante de que a muda que ele esta comprando é de fato a muda que ele esta procurando e querendo. Como resultado, a SBW paga Royalties ou comissão para a Epagri. Assim fecha-se a cadeia do melhoramento vegetal e todo mundo sai ganhando. A instituição de pesquisa é remunerada pelo seu esforço a cada muda que é vendida no mercado, ou seja, se o produtor realmente gostar da muda ele compra mais, e com isto a remuneração da pesquisa também será maior, viabilizando mais pesquisa. “Esta tem sido, desde a origem, a filosofia de nossa empresa e também a nossa principal receita de sucesso, nos permitindo crescer tão rapidamente”, afirma a Diretora Comercial da SBW do Brasil.
A SBW do Brasil, que iniciou suas atividades no Brasil em 2006, tem sua origem no grupo internacional SBW que atua no mercado internacional de micropropagação vegetal há mais de 34 anos. Desde o inicio a empresa vem prestando serviços de micropropagação e comercialização de mudas de plantas e flores ornamentais, banana, batata, abacaxi, cana-de-açúcar e florestais (eucalipto, pinus e teca). Atualmente a empresa já produz cerca de 7 milhões de mudas ao ano, das quais 2,5 milhões são mudas de banana fornecidas a produtores de norte a sul do pais, alem de exportar uma parte para países da África e America Central.
A empresa, além de ser referência em produção, também possui o maior laboratório do País e esta constantemente investindo em P&D, incluindo Embriogênese Somática, Bioreatores de Imersão Termporária, por exemplo, e também focando em projetos de Seleção Positiva. Atualmente com mais de 100 funcionários, distribuídos em dois turnos, a SBW já possui capacidade de produção de seis a oito milhões de mudas e neste momento esta em fase de duplicação operacional, o que significa dizer que, a partir do final deste ano, passará a contar com uma capacidade de produção de 14 a 16 milhões de mudas micropropagadas in vitro ao ano. Assim que concluída a obra, a SBW do Brasil, além de se tornar a maior produtora de mudas micropropagadas do Brasil, passará a ser uma das maiores da América Latina.
“Para nós, da Epagri, é importante confiar nosso material genético a uma das melhores empresas do mercado”, confirma Henri.