As pesquisas sobre o cultivo do morangueiro em sistema orgânico da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) tem o objetivo de agregar novas regiões produtoras. O projeto fomenta o plantio em áreas de agricultura familiar e hortas comunitárias, bem como visa qualificar os arranjos produtivos tradicionalmente desenvolvidos.
Os experimentos, situados em nove municípios do território mineiro, compreendem todo o processo do plantio até a colheita, avaliando a adaptação de métodos sustentáveis de adubação, irrigação, cobertura de solo e controle de pragas e doenças.
— Quanto ao processo irrigatório, por exemplo, percebemos que o gotejamento é mais adequado, porque a umidade fica concentrada apenas na raiz da planta preservando-a da propensão aos fungos, bactérias e ácaros. A exceção, nesse caso, foram os estudos conduzidos nas cidades de Jaíba e Janaúba, onde o sistema mais indicado é a microaspersão devido ao calor excessivo — explica a pesquisadora Juliana Simões.
![]() |
O gotejamento é mais |
Dentre as estratégias de proteção do pomar, com a utilização de plásticos e tecidos não tecidos (tnt), a metodologia mais apropriada foi a utilização do tnt de cor preta. A opção permite a passagem da água, protege o fruto do contato direto com o solo e veda a ação da luz solar, impedindo o crescimento das ervas daninhas.
— No entanto, alternativas mais baratas de coberturas mortas como a serragem e folhas secas do pinheiro também apresentaram bom desempenho em substituição à plasticultura — diz ela.
Outro fator importante foi a parceria entre a Epamig e o Ministério da Agricultura para implementar um banco comunitário de sementes de adubos verdes. A iniciativa solucionou o problema dos altos preços de mercado desse material, isentando os produtores da compra de insumos. Comum à rotina dos agricultores familiares, a técnica consiste na inserção da cultura durante a fase de decomposição de leguminosas misturadas a compostos orgânicos.
![]() |
Ensaios desenvolvidos |
No sul de Minas, tradicional área de cultivo do morangueiro, a produtividade orgânica não foi tão alta quanto a convencional, devido à infestação de doenças pré-existentes. Porém, os ensaios desenvolvidos no norte e centro-oeste foram extremamente positivos, superando a expectativa em algumas localidades. Esses dados foram publicados no Congresso Nacional de Agroecologia, em novembro de 2009.

