A raça holandesa é a maior produtora de leite de mundo, chega a dar mais de 30 litros de leite por dia. No entanto, ela não se adapta muito bem às condições brasileiras, reduzindo a produtividade em território nacional, além de ser uma vaca cara. Já o gado zebuíno está presente nos trópicos e no Brasil há quase 400 anos, sendo muito bem adaptado ao território brasileiro. Por isso, o cruzamento do holandês com o zebuíno já é utilizado há anos e resulta em uma vaca de boa produtividade leiteira e que se adequa bem aos pastos do Brasil.
O pesquisador José Reinaldo Mendes Ruas, da Empresa Agropecuária de Minas Gerais, trabalha com quatro tipos diferentes de zebuínos neste melhoramento genético (raças gir, guzerá, nelore e um zebu sem raça definida) e vai falar sobre os dados de seus trabalhos no VI Encontro de Zootecnistas do Norte de Minas, que começou ontem na cidade de Montes Claros.
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— Este cruzamento já é feito há mais de 30 anos. Realizamos o trabalho com quatro tipos de raças de Zebu diferentes com o objetivo de atingir grande produtividade de leite nas condições brasileiras. O objetivo é tentar agregar gene de produção de leite com gene de rusticidade. Isto levará a uma maior adaptação de animais produtores de leite à condição de Brasil, vai reduzir custos de produção e tornar o leite uma atividade mais rentável — diz o pesquisador José Reinaldo Mendes Ruas, da Empresa Agropecuária de Minas Gerais.
O pesquisador explica que a média de produção do cruzamento entre as duas raças não é tão alto quanto a do gado holandês puro, mas é bem superior à média das raças brasileiras, chegando a ter uma produtividade três vezes maior do que a média das vacas adaptadas ao Brasil. Ele diz que a produção brasileira de leite é muito baixa, em torno de 1.200 quilos de leite por lactação de vaca, o que representa uma produção em torno de quatro a cinco litros de leite por dia. Já a média da raça holandesa pura chega a produzir dez mil quilos de leite por lactação por vaca, o que dá uma média de 30 litros por dia. No cruzamento Holandês-Zebu a média é de três mil quilos por lactação, que dá 12 litros de leite por dia.
— Como são dois animais de subespécies diferentes, ou seja, animais que não são parentes, tem mais um fator importante neste cruzamento, que é a chamada heterose. Há um choque de sangue e todas as características de baixa transmissão são mais bem manifestadas, em função da heterose. E a produção de leite é uma destas características de baixa transmissão — explica Ruas.