Equipamento avalia nutrientes em 1 minuto

Nova tecnologia utiliza luz infravermelha para analisar componentes dos alimentos e ajudar na avaliação da nutrição de caprinos

Juliana Royo
Nutrição Animal

Analisar a composição química do que está sendo consumido pelos animais é um fator importante para determinar a melhor dieta para o rebanho. Coletar dados sobre os alimentos de cada região faz parte do trabalho dos pesquisadores e também é um serviço prestado aos produtores, que querem conhecer melhor o que está sendo oferecido aos animais. Atualmente, a análise dos alimentos é feita em laboratório, através de reagentes químicos que, além de caros, são contaminantes e devem ser manipulados com muito cuidado. Para agilizar e dar mais segurança a este processo, a Embrapa Caprinos e Ovinos importou uma tecnologia que usa luz infravermelha para avaliar os nutrientes e dá o resultado em apenas um minuto. 

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— Com o equipamento de espectroscopia infravermelho próximo (NIR), ganhamos em velocidade e também na questão ambiental, por não haver descarte de reagente. Você constrói uma base de dados catalogando aquele alimento e a composição que ele tem. O equipamento passa a relacionar a leitura que ele fez da amostra com a análise que havia sido feita no laboratório convencional. Toda vez que ele lê esta amostra, ele vai interpretar a análise de acordo com o banco de dados que ele criou. A grande vantagem disso é que nós podemos prestar um serviço mais rápido para o produtor que, às vezes, chega para nós com um alimento cuja composição ele precisa conhecer e nós temos condição de dar uma resposta imediata — explica o pesquisador Marco Bomfim, da Embrapa Caprinos e Ovinos.

O equipamento ainda está em processo de validação. Os pesquisadores estão montando os bancos de dados dos alimentos que são consumidos pelos animais e a previsão é de que dentro de um mês o serviço já esteja disponível para alguns tipos de alimento. Além da rapidez e da vantagem ambiental, a nova análise também será mais barata, porque não é necessário o uso de reagentes químicos e o tempo gasto com a avaliação é menor. A tecnologia já é bem utilizada em outros países e possibilita outros tipos de análise. A Embrapa já está em negociação para desenvolver uma segunda etapa.

— Um outro aspecto que será muito interessante desta tecnologia é de avaliação do alimento selecionado pelo animal no pasto nativo, isso já é feito nos Estados Unidos e nós estamos negociando a vinda da tecnologia para o Brasil. Temos uma dificuldade de entender o que o animal está consumindo no pasto, porque existem muitas forrageiras e, através desta tecnologia, vamos poder acessar esta informação e, a partir daí, poder fazer planos de suplementação dos animais criados a pasto. Isso também vai ser encarado como uma prestação de serviço para os produtores. Nós vamos poder montar esquemas de alimentação para cada situação — diz Bomfim.