Os gastos com rações em aquicultura variam entre 30 e 60% do custo total de produção, podendo atingir até 85% em sistemas intensivos. Por isso, difundir as informações geradas pela pesquisa de forma acessível a produtores, técnicos e outros segmentos da cadeia produtiva relacionada à piscicultura é um dos objetivos do projeto NutriAqua. Dessa forma, entre 14 e 16 de fevereiro, foi realizado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ) o 2º Workshop da Plataforma NutriAqua.
O projeto permitirá o desenvolvimento de um banco de dados sobre as exigências nutricionais dos peixes utilizados na piscicultura brasileira e composição de alimentos utilizados pela indústria de rações para organismos aquáticos. Além disso, será uma ferramenta específica para a formulação de rações para peixes. O trabalho prevê, ainda, a elaboração de uma publicação que disponibilizará informações sobre exigências nutricionais, tabelas de composição de ingredientes comumente utilizados em rações para peixes, entre outras informações sobre nutrição e alimentação.
Dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) dão conta que a produção de rações para organismos aquáticos é a agroindústria de mais rápida expansão no mundo, com taxas de crescimento superiores a 30% ao ano. “A otimização na formulação de rações depende da determinação precisa das exigências nutricionais para as diferentes fases de desenvolvimento, aliada ao conhecimento sobre a utilização dos nutrientes no alimento. Essas informações são geradas pela pesquisa, mas são divulgadas em artigos científicos, de circulação restrita ao meio acadêmico e muitas vezes de difícil interpretação prática entre produtores”, comenta José Eurico Possebon Cyrino, professor do Departamento de Zootecnia (LZT) da ESALQ e um dos coordenadores do evento.
Já Débora Machado Fracalossi, do Departamento de Aquicultura, Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e, também, coordenadora do Workshop explica que “na aquicultura, as publicações que compilam as exigências nutricionais são escassas. O National Research Council, Estados Unidos da América, foi responsável pela publicação de boletins em 1981, 1983 e 1993, onde essas informações foram disponibilizadas de forma organizada e em linguagem acessível. Alguns livros também contém dados de forma organizada, mas eles estão desatualizados e não incluem muitas das espécies criadas no Brasil”.
O desenvolvimento da plataforma NutriAqua proporcionará o ordenamento das informações até hoje geradas pela pesquisa sobre as exigências nutricionais das espécies de interesse para a aquicultura brasileira. Dessa forma, por meio de uma publicação, essas informações serão disponibilizadas de forma acessível para os diferentes elos da cadeia produtiva. “Um ganho paralelo importante com a criação da plataforma será a definição de áreas que necessitam ser investigadas para preencher lacunas sobre as exigências de cada espécie, o que permitirá melhor direcionamento dos investimentos governamentais em pesquisa na área, entre outros benefícios”, complementou a professora.
Na opinião de Débora Fracalossi, o Brasil está muito aquém do seu potencial em relação à piscicultura. “Com clima favorável para aquicultura e água em abundância, tanto em reservatórios como na imensa costa, pode-se dizer que a aquicultura é um gigante adormecido”, finaliza.
Equipe de professores e pesquisadores que participaram do Workshop
Sob coordenação dos professores Débora Machado Fracalossi, da UFSC, e José Eurico Possebon Cyrino, do LZT da ESALQ, participaram do 2º Workshop da Plataforma NutriAqua Alexandre Sachsida Garcia, da Universidade Federal do Paraná (UFPR/Pontal/PR); Ana Cristina Belarmino de Oliveira, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM/Manaus); Edma Carvalho de Miranda, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL/Maceió/AL); Eduardo Giannini Abimorad da APTA/SAA/Votuporanga/SP; João Radünz Neto, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/Santa Maria/RS); Maude Regina de Borba, da Universidade Federal de Feira de Santana (UFFS/Laranjeiras do Sul/PR); Ronaldo Cavalli, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE/Recife/PE); e Roselany Correa da CPATU/EMBRAPA/Belém/PA.
Os trabalhos contaram com apoio do LZT e dos pós-graduandos Tarcila Souza de Castro Silva, Ricardo B. Zanon e Thyssia Bomfim, todos do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e Pastagens da ESALQ, e da graduanda Maria Fernanda O. Silva, da UFSC. (Alicia Nascimento Aguiar)
Mais informações com a professora Débora Machado Fracalossi pelo e-mail: [email protected] .