Espaçamento: efeito pouco significativo contra ferrugem

Pesquisa mostra que técnica utilizada para facilitar manejo de doenças como mofo branco e antracnose não responde da mesma maneira à ferrugem asiática

Pedro Zuazo
Sanidade Vegetal

O aumento no espaçamento entre linhas na sojicultura pode não ter o efeito esperado sobre o controle da ferrugem da soja. O uso de estandes e linhas mais espaçados é uma técnica já conhecida para facilitar o manejo de doenças como mofo-branco e antracnose. Por conta disso, alguns produtores tentam empregar a mesma tecnologia para combater a ferrugem, principal doença da cultura. Mas o resultado de uma recente pesquisa realizada pela Embrapa Agropecuária Oeste em Dourados (MS) mostrou que a prática não teve o resultado esperado. Por duas safras consecutivas, o trabalho apresentou os mesmos resultados, mas a experiência não pode ser generalizada. De acordo com os pesquisadores, a resposta da doença à técnica pode ser diferente em outras regiões, com outras cultivares e sob condições diferentes de cultivo.

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O experimento, apresentado à comunidade científica no Congresso Brasileiro de Fitopatologia, foi realizado durante as duas últimas safras, em Dourados (MS). Por dois anos consecutivos, a soja foi plantada com cinco diferentes espaçamentos entre linhas. Para cada espaçamento, foram cultivadas parcelas com e sem aplicação de fungicida, a fim de observar se o controle da doença através de fungicidas se tornaria mais fácil.

— Desse modo, nós pudemos avaliar tanto o efeito do fungicida, que de antemão já sabíamos que seria importante no controle da doença, quanto o efeito dos espaçamentos entre linhas. Também avaliamos se existia interação entre esses fatores (aplicação de fungicidas e espaçamento entre linhas) para verificar a ocorrência de ocorrência mais alta ou mais baixa da severidade da ferrugem da soja — explica o fitopatologista Alexandre Roese, à frente da pesquisa.

O trabalho mostrou que não houve interação entre o produto e o espaçamento, de modo que a técnica não facilitou o controle da doença. Mas o experimento revelou também um resultado positivo. Ao alterar o espaçamento por duas safras consecutivas, os pesquisadores observaram diferenças significativas no rendimento da soja.

— Nos dois experimentos, o espaçamento de 55 centímetro entre linhas promoveu maior produtividade de grãos do que os demais espaçamentos — comemora o pesquisador.

Na opinião de Roese, os resultados obtidos na pesquisa realizada em Mato Grosso do Sul não podem ser extrapolados à risca para o resto do País. Apesar de a técnica não ter sido eficiente nesse local, sob determinado clima, época de semeadura e com cultivares específicas, os efeitos podem ser diferentes em outras condições.

— Na verdade, a gente enxerga a tendência de que um pequeno aumento do espaçamento entre linhas em relação ao que é usado hoje, de 45 para 55 centímetros, promoveria maior produtividade e maior facilidade de controle da doença. No entanto, isso deve ser feito com cautela. Nossa equipe pretende repetir o resultado para obter dados mais conclusivos — diz.