O estresse calórico é o desequilíbrio que ocorre no organismo de bovinos em resposta às condições adversas, tais como alta temperatura ambiente, alta umidade relativa do ar e alta radiação solar. Tudo isso, aliado à alta produção de calor metabólico, resulta em um estoque de calor corporal excedente. O impacto é sentido na redução do consumo de alimentos, aumento da ingestão de água e alteração das concentrações hormonais, com o comprometimento do desempenho produtivo e reprodutivo.
Sinais de estresse calórico em bovinos podem ocorrer, por exemplo, quando a temperatura ambiente encontra-se na faixa entre 26°C e 32°C e a umidade relativa do ar entre 50% a 90%. Os sintomas incluem respiração rápida e superficial, sudorese abundante e aproximadamente 10% de redução da produção de leite e do consumo de alimentos.
Para avaliar se algum animal está sofrendo de estresse calórico, pode-se recorrer ao emprego de técnicas de medição, sendo que a mais comum delas é a do Índice de Temperatura e Umidade (ITU), calculado a partir da temperatura e da umidade relativa do ar.
As vacas de leite começam a sofrer com o estresse calórico quando o ITU excede 72. A temperatura ambiente considerada limite para produção de leite está em torno de 25°C e, nesse caso, a umidade relativa deve permanecer abaixo de 50%. Quando a temperatura aumenta para 26°C, com a mesma umidade relativa, o ITU ultrapassa o valor de 72 e já ocorrem problemas. No entanto, é importante ressaltar que as raças diferem nas suas respostas fisiológicas e adaptação ao ambiente térmico.
Uma das alternativas para se amenizar o estresse calórico é recorrer ao manejo nutricional do rebanho. Por exemplo, aumentar a densidade energética da dieta, adicionando mais nutrientes em um volume menor de alimento se estiver havendo queda no consumo; fornecer forragem de alta qualidade; aumentar a proporção de concentrado; adicionar à dieta ingredientes com alto teor de óleo ou gordura, com o cuidado de não ultrapassar 7% da dieta total.
Além disso, a adição de tamponantes na dieta ajuda a estabilizar o pH do rúmen. Isso porque, se houver redução no consumo e a forragem for de alta qualidade, a atividade ruminal pode diminuir, provocando acidose ruminal. A recomendação é incluir 1% de bicarbonato de sódio na dieta. Adicionalmente, pode-se aumentar o parcelamento dos alimentos ao longo do dia, reduzindo a quantidade de alimento por refeição, de forma a estimular o consumo da dieta.
Para saber mais sobre essas recomendações e mais detalhes sobre os sinais de estresse calórico em bovinos de leite e sobre como medi-lo, leia o documento comunicado técnico.