Estudo busca conhecer inimigo natural de pragas em horta agroecológica no Piauí

A Embrapa Meio-Norte, o Instituto Butantã e a Universidade Estadual do Piauí realizaram estudo, a fim de identificar as principais famílias de aranhas em uma horta sob sistema de manejo conservacionista (agroecológico).

Redação
Hortaliças

A Embrapa Meio-Norte, o Instituto Butantã e a Universidade Estadual do Piauí realizaram estudo, a fim de identificar as principais famílias de aranhas em uma horta sob sistema de manejo conservacionista (agroecológico). Sabe-se que as aranhas são predadoras de pragas e podem ser utilizadas como indicadores da qualidade ambiental.

A horta agroecológica foi estabelecida em campo experimental da Embrapa, localizado no município de Parnaíba, ocupando uma área total de 1.200 metros quadrados, dividida em 32 canteiros, medindo 8 metros de comprimento por 1,2 metro de largura cada. Foram plantadas várias espécies hortícolas, distribuídas de forma diagonal nos respectivos canteiros.

Para diversificação, reciclagem de nutrientes e produção de biomassa, foram plantados feijão-de-porco (Canavalia ensiformes L.) e lab-lab (Dolichos lab lab L.) entre os canteiros, em fileiras alternadas com a vegetação natural, disponibilizando assim habitats propícios aos inimigos naturais.

A coleta dos artrópodes foi realizada no período de 2 a 7 de agosto de 2007, por meio da utilização de armadilhas - potes plásticos enterrados ao nível do solo. Os potes foram colocados nos corredores de vegetação espontânea, distribuídos ao longo de linhas retas e intercalados por intervalos de dois metros.

Foram coletadas 662 aranhas, divididas em uma família de Mygalomorphae e 11 famílias de Araneomorphae. Considerando-se o número total de indivíduos coletados por família, constatou-se que Lycosidae foi a mais abundante, com 582 exemplares coletados (88% do total), seguida por Oxyopidae, com 36 espécimes (5,40%), Zodariidae, com 18 (2,70%), Pholcidae, com 12 (1,80%), Theridiidae, com 5 (0,75%) e Gnaphosidae, com 3 (0,45%).  As menos abundantes foram Theraphosidae, Salticidae, Miturgidae, Corinnidae, Linyphiidae e Thomisidae, todas apresentando um único indivíduo, correspondendo a 0,15 % do total.

O estudo da composição das comunidades de aranhas ajudou a reunir dados taxonômicos e estatísticos, que vão caracterizar essas comunidades em determinado ambiente. Essas informações constituem, de maneira geral, a base para a realização de estudos mais complexos em ecologia.