Estudo compara produção in vitro de embriões entre as raças gir e holandês

Embrapa Gado de Leite avalia o potencial de produção in vitro de embriões, a partir de oócitos de vacas Gir criadas em clima tropical em comparação com animais da raça Holandesa.

Redação
Melhoramento genético

A Embrapa Gado de Leite avaliou o potencial de produção in vitro de embriões, a partir de oócitos de vacas Gir criadas em clima tropical em comparação com animais da raça Holandesa. O experimento foi realizado no Laboratório de Reprodução da Embrapa Gado de Leite, no Campo Experimental de Coronel Pacheco (CECP-MG) e no Campo Experimental de Santa Mônica (CESM), em Valença-RJ.
 
Para tanto, foram feitas sessões de punção folicular em nove doadoras adultas da raça Gir e 13 da raça Holandesa. Posteriormente, houve a fecundação in vitro e a avaliação de embriões clivados e a produção de blastocistos. Blastocistos de graus I e II, segundo classificação da literatura especializada, foram transportados para o CECP e o CESM e transferidos para o corno uterino ipsilateral ao corpo lúteo de receptoras no sétimo ou oitavo dia do ciclo estral.
 
A taxa de gestação nas receptoras foi avaliada entre o 35º e 50º dia após inovulação, por meio de ultra-sonografia e, posteriormente, a taxa de nascimento foi calculada utilizando os dados de bezerros vivos até 72 horas após o parto em função do número de embriões transferidos. O estudo verificou que, em ambientes tropicais, os oócitos de Gir produziram maior taxa de blastocistos, sinalizando uma maior potencialidade de desenvolverem in vitro, apesar de ambas as raças produzirem um número relativo de embriões por sessão de punção.
 
Essa observação mostra que existe variação entre raças na produção in vitro de embriões, provavelmente, em função da adaptação ao clima em que se encontra a doadora. Esse efeito parece limitar o desenvolvimento até o estádio de blastocistos, mas não o desenvolvimento posterior, uma vez que as taxas de gestação foram semelhantes entre os dois genótipos avaliados.
 
A viabilidade dos embriões de ambas as raças foi avaliada por meio da taxa de gestação e de nascimento. Apesar da menor taxa de blastocistos produzidos na raça Holandesa, a taxa de gestação e de nascimento não foi diferente da raça Gir, indicando que a qualidade dos blastocistos produzidos não foi afetada pelo genótipo das doadoras nas condições de ambiente do experimento.
 
Esse trabalho da Embrapa Gado de Leite foi motivado pelo aumento da demanda de pecuaristas por animais da raça Gir e a necessidade de se acelerar o ganho genético, face à importância adquirida pelo rebanho no que concerne à sustentação de diversas bacias leiteiras do Brasil, principalmente, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.