Estudo de caso da fitotoxicidade de fungicidas na cultura da soja

Embora tenham sido detectados sintomas de fitotoxicidade nas variedades mencionadas, não foram observadas perdas de produtividade devido ao problema

Margareth Santos
Manejo

A Fundação MS realizou estudos, em Maracaju, com o objetivo de observar e correlacionar os principais fatores determinantes da ocorrência de fitotoxicidade, após a aplicação de fungicidas químicos, em variedades de soja.
Os tratamentos avaliados foram aplicados nos estágios R1 e R5.1 (saiba mais sobre a fenologia da soja), das variedades CD 202, CD 214 RR, CD 219 RR, BRS 245 RR, BRS Charrua RR, BRS 239, M-SOY 8001 e Embrapa 48, conforme a tabela.

Tratamentos, dosagens e descrição dos produtos. Fonte: Fundação MS

Os resultados da pesquisa, com base na avaliação de severidade da fitotoxicidade 10 dias após aplicação em R5.1, dividiu as variedades testadas em dois grupos: as que apresentam sintomas visuais e a que não apresentam sintomas visuais.


Variedades de soja que apresentaram fitotoxicidade

Porcentagem visual de área foliar necrosada em função dos fungicidas aplicados nas variedades de soja que apresentam fitotoxicidade aos 10 dias após a aplicação em R5.1. Produtividade em sacas por hectares das variedades nos tratamentos fungicidas.

Foram observados sintomas de fitotoxicidade nas variedades CD 202, CD 214 RR, CD 219 RR e BRS 239 aos fungicidas tebuconazole e flutriafol + tiofanato metílico. As mais sensíveis em termos de valores numéricos de fitotoxicidade ao tebuconazole foram CD 202 e CD 214 RR, com 35% de área foliar lesionada, seguida por BRS 239, com 25% de área foliar necrosada. A variedade CD 219 RR apresentou apenas 10% de área danificada, e somente após a aplicação do tebuconazole. Apenas a variedade CD 214 RR apresentou sintomas expressivos da fitotoxicidade, chegando a 25%, em relação ao produto com flutriafol, seguida de 15% na CD 202 e 5% na BRS 239.

Já as variedades BRS 245 RR, BRS Charrua RR, Embrapa 48 e Monsoy 8001 não apresentaram sintomas visuais de fitotoxicidade, demonstrando que para estas variedades todos estes fungicidas testados podem ser utilizados sem problema.

Embora tenham sido detectados sintomas de fitotoxicidade nas variedades mencionadas, não foram observadas perdas de produtividade devido ao problema, o que pode estar relacionado à boa distribuição de chuvas no período de vigência do experimento – inclusive após a segunda aplicação. Entretanto, isso não quer dizer que perdas de produtividade não possam ocorrer. Para fins de segurança, recomenda-se a não aplicação de tebuconazole, principalmente em variedades sensíveis à fitotoxicidade, mesmo em condições climáticas favoráveis no momento da aplicação, já que os dias que sucedem à aplicação também são determinantes para o surgimento da fito (sintomas visuais apareceram de 8 a 10 dias após a aplicação). Deve-se optar por produtos mais seletivos na segunda aplicação, a partir de R5.


Variedades de soja que praticamente não apresentaram fitotoxicidade

Produtividade em sacas por hectare de cada variedade em cada tratamento fungicida nas variedades de soja que praticamente não apresentaram fitotoxicidade aos 10 dias após a aplicação em R5.1.

Nas variedades mais tolerantes, o uso destes produtos, especialmente o tebuconazole, pode ser feito sem problema, uma vez que ele é o triazol mais eficiente para o controle da ferrugem disponível hoje no mercado.
Para se evitar a fitotoxicidade de fungicidas na cultura da soja, é preciso ficar atento à variedade que foi utilizada, evitando a aplicação de produtos menos seletivos nas cultivares mais sensíveis, às condições de clima da safra, o que determina algum fator de estresse para a cultura, e ao produto a ser usado, fugindo dos ingredientes ativos que conhecidamente causam o problema nas variedades sensíveis.
O estágio fenológico da cultura tem demonstrado algum efeito na composição do problema, onde se  observa a ocorrência da fito, sobretudo nas aplicações de produtos menos seletivos a partir do estágio R5, em cultivares sensíveis.


Tecnologia aplicada

As aplicações foram realizadas nos horários mais quentes do dia para favorecer o aparecimento da fitotoxicidade, já que o objetivo do trabalho não é apenas o de identificar as variedades mais sensíveis ao problema, mas também, determinar as variedades mais tolerantes em condições de estresse, como mostra a tabela a seguir.

Tecnologia de aplicação utilizada. Fonte: Fundação MS