Neste trabalho, disponibilizado no link, é possível identificar as atividades rurais mais relevantes na área de captação do reservatório de Furnas. Conforme os autores - Marcos Neves e Alfredo Barreto Luiz, pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e Moisés Galvão Salgado, pesquisador da Agrosatélite, essa análise é importante, pois indica quais sistemas de produção são expressivos e que devem ser efetivamente estudados a fim de identificar os agroquímicos utilizados na região. “Outro resultado que merece ser destacado é o fornecimento de informações sobre a distribuição e concentração de atividades rurais, pois podem definir o esquema de monitoramento a ser implantado no reservatório”, enfatizam os autores.
Dentre as principais políticas do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) para o desenvolvimento desse setor, destaca-se a de cessão de águas de corpos d’água de domínio da União para fins de aquicultura, o que contribuiu para o desenvolvimento de uma das principais modalidades de piscicultura - a criação de peixes de água doce em sistemas de tanques rede instalados em grandes reservatórios.
Em 2007 a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (SEAP), antecessora do MPA, publicou um estudo com o objetivo de delimitar dezesseis parques aquícolas dentro do reservatório de Furnas para incrementar a produção de peixes na região. Ao final de 2011, a Embrapa Meio Ambiente, em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA – Polo Regional Leste Paulista), o INPE e o MPA iniciou o projeto Desenvolvimento de Sistema de Monitoramento para Gestão Ambiental da Aquicultura no Reservatório de Furnas – MG.
Localizado a sudoeste de Minas Gerais, dentro da bacia hidrográfica do Rio Grande que, por sua vez, abrange áreas entre Minas Gerais e São Paulo, Furnas é um dos maiores reservatórios brasileiros, com 1.440 Km2 de área e 3.500 km de perímetro. É alimentado por duas sub-bacias hidrográficas, sendo os seus cursos principais o próprio Rio Grande e seu afluente de margem esquerda, o Rio Sapucaí.
Com as atuais políticas públicas voltadas ao setor pesqueiro e aquícola, em 2013 o Brasil atingiu a produção de mais de 900 mil toneladas de pescado, sendo que a aquicultura brasileira produziu, pela primeira vez na história, mais pescado do que a pesca extrativista. “Assim, explicam os pesquisadores, cresceu a necessidade de monitoramento dos recursos hídricos, visando à melhoria nos processos de gestão e acompanhamento dos procedimentos usados, o que se traduziria, ainda, em contribuição ao processo de licenciamento e adequação ambiental”.
Foi necessário a definição de um procedimento, reprodutível e baseado em dados oficiais, que auxiliasse na escolha de um local para o monitoramento da qualidade de água desses grandes reservatórios. Esse trabalho buscou apresentar um diagnóstico rápido da produção da agricultura, pecuária e silvicultura nessas duas sub-bacias hidrográficas, de modo a servir como subsídio na escolha do local para a instalação da estrutura de monitoramento, auxiliar no levantamento dos sistemas de produção rurais e oferecer dados para o mapeamento do uso do solo e cobertura vegetal das duas sub-bacias.
As produções agrícola, pecuária e da silvicultura foram avaliadas isoladamente para as duas sub-bacias de modo a permitir a comparação entre braços distintos da represa e embasar análises da qualidade de água e identificar relações de causa e efeito entre estas produções e qualidade de água.
Há uma forte concentração em poucas culturas, destacando-se café e milho, e em um plano secundário, o feijão. O perfil de plantio das culturas é semelhante para as duas sub-bacias, onde as três principais culturas aparecem na mesma ordem, sendo que na do Rio Grande há um equilíbrio maior entre as culturas de café e milho, enquanto que na de Sapucaí, a área com café é mais que o dobro da área com milho.
Em termos globais, o efetivo de suínos é significativamente menor que o de bovinos, mas sua consideração também é importante como fonte potencial de poluição, em função da alta concentração de animais em granjas e em alguns municípios, o que aumenta os riscos de contaminação ambiental, em especial na falta de tratamento dos rejeitos do sistema produtivo. Os efetivos das aves apresentam valores bem distintos para as duas sub-bacias. Como no caso dos suínos, foi identificada uma grande concentração em alguns poucos municípios.
A pecuária na região se comporta de maneira semelhante nas duas sub-bacias ao longo dos últimos 35 anos no que diz respeito aos efetivos dos rebanhos bovino e suíno, apresentando uma suave tendência de crescimento nos últimos dez anos. Entretanto, com relação às aves (galinhas, galos, frangos, frangas e pintinhos), o comportamento é diferente de uma sub-bacia para outra, com um crescimento entre os anos de 1990 e 2000 no efetivo da região do rio Sapucaí, atingindo um valor que é quatro vezes maior que o patamar relativamente estável da região do rio Grande.
A silvicultura não é muito expressiva na região, possivelmente sendo a produção utilizada para consumo mais localizado. Nas últimas duas décadas houve uma diminuição na produção de lenha, que atualmente parece relativamente estabilizada, e um aumento na produção de madeira em tora, explicado pela expansão da produção na sub-bacia do rio Sapucaí.