Estudo mostra a produtividade da cana na alimentação bovina

A Epamig desenvolve pesquisa com a cana-de-açúcar em condições irrigadas e de sequeiro para a produção de aliementação bovina

Monique Dutra
Nutrição Animal

A cana-de-açúcar vem sendo pesquisada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), unidade Centro-Oeste, como potencial produtivo para a alimentação de bovinos e para a agroindústria.

De acordo com o pesquisador Geraldo Macedo, o objetivo da pesquisa é fazer a avaliação de variedades melhoradas e testadas para conhecer o potencial produtivo da cana em condições irrigadas e de sequeiro. Um dos aspectos avaliados na pesquisa foi se a irrigação contribui ou não para a melhoria qualitativa e quantitativa em relação ao teor de sacorose e de fibra.

— O experimento foi instalado em duas épocas do ano. As variedades de cana tardia ou cana de ano foram no início do período de chuvas, em novembro. As precoces ou cana de ano e meio, em março. Elas foram colocadas em dois ambientes. No primeiro, receberam irrigação durante todo o ciclo de vida sendo a irrigação suspensa a 30 dias antes do início do corte. Já no segundo, o sequeiro, a cana tardia não foi irrigada e contou apenas com a água das chuvas para completar o ciclo. Além da irrigação foram feitas adubações, avaliações agronômicas, tecnológicas e bromatólogicas. Depois das avalições, a cana passou a ser cortada diariamente e a cada 21 dias os animais são pesados — explica o pesquisador.

 

cana-de-açúcar tem bom potencial para alimentação de bovinos

A variedade tardia utilizada foi a RB867515, que obteve um potencial produtivo acima de 120 toneladas por hectare e o ganho de peso animal de 900 gramas animal ao dia. Essa é uma variedade melhorada e tem uma baixa exigência de fertilidade de solo. Já a variedade precoce foi a S801842 que atingiu o potencial produtivo de 180 tonelas por hectare e o ganho de peso foi de 600 gramas. A variedade de ciclo médio usada foi a R855536 que atingiu 190 tonelas de cana por hectare com um ganho de peso de 700 gramas. Essas variedades podem ser usadas na alimentação animal como na produção de álcool, de cachaça, melado e açúcar mascavo.