Estudo multidisciplinar da Amburana cearensis

As atividades broncodilatadora, analgésica e anti-inflamatória do extrato hidroalcoólico das cascas do caule da árvore foram comprovadas por meio de testes

Margareth Santos
Melhoramento genético

Estudo multidisciplinar, envolvendo química, agronomia e farmacologia, coordenado pela Embrapa Semiárido, evidenciou a viabilidade técnica para produção de mudas de Amburana cearensis por semeadura. Para tal, foi necessário apurar o conhecimento da espécie, visando a determinação das propriedades terapêuticas da planta e a descoberta de seus princípios ativos. O trabalho se restringiu ao estudo dos constituintes químicos da casca do caule, já que essa parte é a mais usada medicinalmente.

Foram reveladas elevada presença de cumarina – componente principal – e compostos fenólicos, sobretudo flavonóides como o isocampferídio, o flavonóide majoritário. Também foram encontrados campferol, quercetina, 4’-metoxi-fisetina, afrormosina, 7-hidroxi-8,4’-dimetoxi-isoflavona e os biflavonóides amburanina A e B; e ainda, ácido protocatecuico, ácido vanílico e glicosídios fenólicos, como amburosídio A e B e esteróides glicosilados b-sitosterol e estigmasterol. Além disso, 24-metilenocicloartanol e 3,4-dimetoxi-cinamato de metila já foram relatados.

Por meio de ensaios pré-clínicos, as atividades broncodilatadora, analgésica e anti-inflamatória do extrato hidroalcoólico das cascas do caule da árvore foram comprovadas. Isso revela que o extrato é isento de toxicidade em doses terapêuticas, garantindo eficácia e segurança no tratamento de asma, bronquite, gripe e resfriado. A partir daí, foi possível identificar a cumarina e uma fração flavonoídica, em sua maioria constituída por isocampferídio (puro) como responsáveis por estas atividades farmacológicas.

Descobriu-se, mais tarde, que o isocampferídio e o amburosídio A, isolados da A. Cearensi, também contribuem para as atividades farmacológicas da planta. A ação broncodilatadora do isocampferídio foi evidenciada pelo seu efeito relaxante muscular em traqueias de cobaias. Por outro lado, o amburosídio A demonstra atividade hepatoprotetora e neuroprotetora, em função de sua ação antioxidante. Os flavonóides isocampferídio e campferol mostraram significativo potencial antineoplástico, devido aos seus efeitos antiproliferativos contra ovos de ouriço-do-mar e linhagens de células tumorais.


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