Exaustor no silo reduz perdas em até 15%

Tecnologia acaba com a chamada chuva do silo porque permite que o ar quente formado dentro do local seja liberado constantemente para fora

Juliana Royo
Armazenagem

O Brasil é um grande produtor de grãos, melhora a qualidade das produções a cada ano e o produtor tem um grande investimento na lavoura, aumentando os custos de produção com tecnologias modernas para atingir este alto padrão exigido pelo mercado. Este ano, o Brasil deve bater novo recorde na produção agrícola, segundo estimativas do governo federal. No entanto, uma área do sistema produtivo ainda é atrasada no país e compromete os investimentos do produtor. A pós-colheita é responsável por quase 20% de perdas de tudo o que foi produzido no Brasil e boa parte deste prejuízo ocorre na armazenagem. Os produtores brasileiros devem se preocupar agora em manter a alta qualidade dos seus produtos e novas tecnologias nos silos estão surgindo para ajudar o agricultor.

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O fenômeno da condensação, conhecido popularmente como chuva nos silos ou suadeira, é um dos principais fatores de prejuízos dentro do armazém, danificando até 30% da massa de grãos. Ele ocorre de forma natural e afeta todos os tipos de grão. Com o sol que bate durante o dia, a chapa do silo esquenta e aquece o ambiente interno. A temperatura no interior do silo pode chegar a ficar até 13 graus acima da externa formando uma grande bolsa de calor. Só que durante a noite a temperatura cai bastante e provoca o fenômeno da condensação porque a bolsa de calor se concentra na parte superior, se resfria e se transforma em gotas d'água e aí ocorre a chuva no silo. Essa água escorre pelas laterais e se infiltra na massa de grãos atingindo a parte de baixo do produto. No dia seguinte, o mesmo efeito vai ocorrer e a água vai se acumulando na parte inferior do silo até apodrecer os grãos e favorecer a ação de fungos. A temperatura da parte superior e inferior de dentro do silo fica heterogênea e pode variar cerca 8º. Por isso, é importante que o ar quente não se acumule.

— A tecnologia de exaustão tem por objetivo remover o bolsão de calor que se forma dentro dos silos para eliminar um problema grave que é a condensação, que pode causar perdas de 3% a até mais de 30%, dependendo do manejo. É muito comum o pessoal buscar fissuras no silo para saber porque a massa de grãos está molhada ou buscar vedação contra a chuva, mas na verdade é um processo que ocorre dentro do silo. É muito comum ver os silos se deteriorarem de dentro pra fora porque os grãos começam a grudar nas paredes dos silos, começam a causar ferrugem e degradação da chapa. É comum o produtor ter que trocar a chapa inferior por um problema que aconteceu lá na parte de cima. A condensação causa sérias perdas na armazenagem e esse sistema com exaustor elimina estas perdas — explica Otávio Matos, consultor técnico da Cycloar.

Segundo Otávio, o custo da tecnologia compensa o dinheiro que o produtor vai deixar de perder com o apodrecimento e baixa qualidade dos grãos armazenados por causa da condensação. Ele diz que o sistema de exaustão custa entre 0,5% a 1% do volume armazenado no primeiro ano e o projeto é personalizado de acordo com o tamanho e necessidade de cada silo. Existem outros tipos de aeradores no mercado e, inclusive, outros modelos de exaustor desenvolvido em outros países. No entanto, nenhum deles é capaz de eliminar a bolsa de ar quente que se forma na parte superior do silo para evitar a condensação. O que ocorre hoje em dia, na maioria dos silos brasileiros, é o sistema de aeração por ventiladores instalados na parte de baixo dos silos que vai amenizando a temperatura de baixo para cima e empurrando o ar quente para o alto. Mas sem o exaustor o ar quente fica preso dentro do silo.

— Até então, se trabalhava com aeração por ventiladores elétricos na camada de baixo. Isso tem um custo de energia alto, não resolve o problema e até agrava a condensação, dependendo do manejo. A nossa tecnologia faz isso utilizando energia limpa, dos ventos. Há um custo de diminuição de energia elétrica, não tem desgaste dos equipamentos e não sofre a chamada fadiga dos metais tornando o custo de manutenção praticamente zero. Outro problema que ocorre em função disso é a ativação do metabolismo dos insetos, que gostam do calor e da umidade. Eles migram para a camada superior e contaminam a massa de grãos. Os fungos, que causam as micotoxinas, também se beneficiam muito com a formação desse bolsão de calor e a condensação. O Brasil é um grande produtor de grãos e o mercado internacional está buscando qualidade. Nós não podemos mais conviver com fungos e insetos, tanto por uma questão de sanidade alimentar quanto pela superação de barreiras sanitárias que estão vindo por aí — alerta.