Experimento viabiliza cultivo de pêra no semiárido

Embora a região seja caracterizada pelo clima quente, experimentos mostram que é viável a produção de pêras nas condições do Vale do São Francisco

Aline Jesus
Fruticultura

Nas áreas irrigadas do submédio do Vale do São Francisco, região caracterizada pelo clima quente, uma nova alternativa de plantio comercial vem sendo testada: a pêra, fruta típica de clima frio. Paulo Roberto Lopes, coordenador do setor de pesquisa da Embrapa Semi-Árido, conta que o desafio do experimento é introduzir diversas culturas para avaliar o potencial econômico e agronômico explorado na região. Para isso, ações de pesquisa realizadas desde maio de 2005 investigam formas de manejo para adaptar as pereiras às condições do semiárido. Lopes explica que, além disso, outro aspecto do experimento é encontrar soluções para superar a necessidade de cerca de 400 a 500 horas de frio que a frutífera precisa para produzir nas áreas onde a fruteira é cultivada.

Segundo o coordenador da pesquisa, até agora os testes realizados com as variedades 16.30 MG 8 e 12 mostraram que a produção de pêras nas condições ambientais do Vale do São Francisco é possível.

— As duas cultivares vêm apresentando um excelente desenvolvimento vegetativo, florescendo e frutificando em quase todos os meses do ano – afirma Lopes.

Com bons resultados, hoje, de duas cultivares tem-se 18 novas. Caso a viabilidade destas for comprovada até meados de 2010, o plantio de pêras nas áreas irrigadas do Submédio do Vale de São Francisco pode ser recomendado. Para o pesquisador responsável pelo experimento, isto indica que a pêra pode se firmar como uma alternativa de cultivo além das tradicionais culturas como a manga e a uva. Ele também acredita que os plantios podem ser uma nova oportunidade para melhorar a economia do Vale de São Francisco:

— Este será um passo importante para o agronegócio da região, que abrange o maior polo produtor de frutas para exportação do Brasil — diz.

O projeto de pesquisa “Introdução e avaliação de cultivos alternativos para áreas irrigadas do semiárido brasileiro" tem parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales de São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF). Entre as outras culturas a serem estudas, destacam-se a maçã e caqui. Após a segunda quinzena de dezembro, a primeira colheita será feita com cinco variedades em uma área experimental.