A adoção de técnicas simples pode melhorar a qualidade do leite e a rentabilidades dos produtores rurais. Para multiplicar o uso desses métodos, cerca de 35 técnicos de assistência técnica rural participaram do curso “Produção em Pecuária Leiteira Sustentável”, realizado pela Embrapa Acre, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O curso aconteceu entre os dias 18 a 22 de novembro, no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar, AC).
“A ideia é mostrar que tecnologias com custo relativamente baixo podem aumentar a produtividade do rebanho. Dessa forma, o produtor rural pode otimizar sua renda sem abrir novas áreas, mantendo Áreas de Preservação Permanente. Isso traz sustentabilidade para a propriedade, não só ambiental, mas também econômica e social”, afirma o analista da Embrapa Acre, Bruno Pena, uma dos organizadores do curso, que integra o conjunto de ações do Projeto Acreleite, coordenado pela Embrapa Acre.
O curso é direcionado para extensionistas da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof) e de empresas que prestam serviços de assistência técnica rural. “Os participantes atuarão como multiplicadores dessas alternativas tecnológicas e assim pretendemos atingir um número maior de produtores rurais”, afirma o coordenador do projeto, Márcio Bayma, analista da Embrapa Acre.
O projeto Acreleite, executado em parceria com a Seaprof, prevê a estruturação de núcleos de referência tecnológica em três municípios do estado: Feijó, Acrelândia e Plácido de Castro. Em Feijó, os produtores rurais já estão mobilizados e participaram de quatro cursos esse ano. Para o técnico rural Aldeni de Lima, que está atuando no projeto em Feijó, muitos produtores rurais já começaram a fazer modificações na propriedade. “Depois que as ações do projeto iniciaram os produtores rurais já dividiram as pastagens e estão empenhados em melhorar a alimentação do rebanho”, afirma.
Leite de qualidade
Para Lima, o aspecto mais interessante abordado no curso foi a questão das boas práticas de ordenha, que previnem a contaminações no leite. “São cuidados básicos que resultam em um produto melhor no mercado, é uma questão de saúde pública”, afirmou.
Durante o curso, foi realizada uma demonstração das boas práticas de ordenha na propriedade do produtor rural Raimundo Nonato Nogueira, conhecido como Dinho, que produz cerca de 110 quilos de leite por dia, em Porto Acre. “É fundamental adotar as técnicas preventivas que eles demonstraram, para evitar gastos futuros com o tratamento das vacas doentes e queda na produção”, declara.
Ministraram o curso os profissionais da Embrapa Acre: Carlos Mauricio de Andrade, Giselle Lessa, Maykel Sales, Francisco Aloísio Cavalcante, Adriano Mesquita, José Marques, Bruno Pena, Tadario Kamel e Márcio Bayma.
Pasta do Produtor de Leite Acreano
O curso mostra as tecnologias que compõem a Pasta do Produtor de Leite Acriano, publicação da Embrapa Acre que traz técnicas de manejo em pastagens com adoção de cercas elétricas e pastejo rotacionado, métodos que evitam a degradação do pasto, causado pela superlotação, um dos principais problemas enfrentados pelos produtores da região. Outro destaque é o uso de cana com uréia na suplementação do rebanho leiteiro, prática utilizada durante o período seco que permite manter os animais bem alimentados, mesmo quando as pastagens estão pobres.
Também são mostradas as vantagens do uso de leguminosas como o amendoim forrageiro e da arborização de pastagens, tecnologias que ajudam a melhorar a qualidade do alimento consumido pelo rebanho, conferem conforto térmico e protegem o solo contra a erosão e outras intempéries. Os participantes também conheceram as vantagens do uso do manejo sanitário, da inseminação artificial e das boas práticas na ordenha.