Cerca de 30 extrativistas dos seringais Porvir e Filipinas, na Reserva Extrativista Chico Mendes (Brasileia, AC) aprenderam técnicas de como manusear o Sistema de Posicionamento Global – GPS, durante curso realizado pela Embrapa Acre, nos dias 5 e 6 junho.
Com aulas teóricas e práticas, os extrativistas aprenderam vários aspectos relacionados ao uso do GPS. “Fiz questão de que eles conhecessem exatamente com que equipamento estavam lidando, por isso mostrei as configurações do aparelho, as formas de marcar o ponto ou seja a localização de cada árvore, e inclusive saber questões sobre satélite”, afirma o analista Daniel Papa, ministrante do curso.
Com o uso do GPS, os extrativistas terão maior agilidade e precisão no mapeamento das áreas que utilizam na floresta. “A ideia é que os próprios extrativistas mapeiem as áreas onde fazem coleta de produtos”, afirma Papa.
Para os participantes do curso as noções sobre mapeamento digital com o uso do GPS serão fundamentais para localizar as árvores mais produtivas de castanha-do-brasil, copaíba, seringueira e andiroba. “Aprendi a manusear o aparelho e assim posso mapear a próxima safra de castanha-do-brasil. Além disso, esse instrumento irá me auxiliar também para exercer a profissão que pretendo atuar, estou cursando Gestão Ambiental e me formo no próximo mês”, afirma a extrativista do seringal Porvir, Joziane Evangelista.
A Embrapa pretende elaborar, junto aos produtores rurais, um mapa de distribuição espacial das castanheiras de cada produtor, com as castanheiras mais produtivas e o percurso que usam para fazer essa coleta. Com essas informações o agricultor terá maior controle maior da produção. “Essa informação é importante para obtenção de financiamento agrícola, pois é uma estimativa da produção”, afirma a engenheira florestal Ana Marta Passetti, bolsista que atua na Embrapa.
O curso é uma das etapas da rede de pesquisa Kamukaia, coordenada pela pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que visa consolidar informações sobre a ecologia e manejo de produtos florestais não madeireiros. A Rede pretende avaliar, junto aos extrativistas, as diretrizes de manejo da castanha-do-brasil para o Plano Nacional para a Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade.