FACE prevê futuro da cafeicultura

Projeto mostra o que acontecerá com plantas, levando em consideração a concentração de CO2 no ar

Kamila Pitombeira
Meio Ambiente

 O primeiro experimento FACE do mundo, feito com café, será inaugurado na área do campo experimental da Embrapa Meio Ambiente em Jaguariúna, SP, no dia 25 de agosto. O experimento foi proposto pelo projeto “Impactos das mudanças climáticas globais sobre problemas fitossanitários – Climapest”. Segundo a pesquisadora Raquel Ghini, líder do projeto Climapest, o FACE é uma abreviação de um termo em inglês que significa liberação de gás carbônico ao ar livre. O objetivo do programa é saber o que vai acontecer com as plantas de café no final do século, quando a concentração de gás carbônico no ar estará bem mais alta que a atual. De acordo com ela, atualmente, essa concentração gira em torno de 400 partes por milhão e deve chegar a até 1000 partes por milhão no cenário mais pessimista.

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— Temos uma área no campo experimental de aproximadamente 7 hectares, onde serão plantadas mais de 35 mil mudas de café Catuaí no sistema convencional. Dentro dessa plantação, existem 12 anéis com 10 metros de diâmetro. Em seis deles, liberamos CO2 em altas concentrações. Nos outros, temos o ar com concentração atual de gás carbônico. Dentro desses anéis, as plantas crescem ao ar livre e o gás carbônico é liberado através de tubos de PVC. Então, vamos comparar as plantas dentro desses anéis em áreas com mais e menos CO2 — conta a pesquisadora. 

Ela diz que o programa estudará principalmente a ferrugem do café e a cercosporiose, duas doenças causadas por fungos, e o bicho mineiro do café. Além disso, analisará o crescimento de mato com mais e menos CO2. Além da parte fitossanitária, também será analisada a parte nutricional da planta, a fertilidade, a fisiologia associada a essa planta e a decomposição de matéria orgânica do solo.

— O maior benefício será que poderemos estabelecer o que acontecerá no futuro com as plantas de café. Com isso, possíveis problemas de doenças, pragas e outros aspectos da cultura que precisem de alguma intervenção podem ser estudados para que se possa dar ao agricultor as soluções quando os problemas estiverem ocorrendo no campo — explica Raquel. 
 

Mudanças Climáticas

O experimento FACE faz parte do projeto “Impactos das mudanças climáticas globais sobre problemas fitossanitários – Climapest” que, até 2012, avaliará o impacto das mudanças climáticas sobre doenças, pragas e plantas invasoras de importantes culturas para o agronegócio brasileiro. O projeto visa ao desenvolvimento de alternativas de adaptação para o controle dos problemas fitossanitários predominantes nos cenários climáticos futuros.

— Com relação à temperatura, por exemplo, já temos a curva do ciclo de vida de várias pragas e de algumas doenças com aumentos graduais de temperatura, ou seja, se a praga vai se desenvolver mais rápido ou não, os inimigos naturais dessas pragas, se eles vão sofrer com o aumento da temperatura ou se vão ser beneficiados. Nós temos um componente do projeto onde são feitos eventos e divulgados os resultados para o setor produtivo. Além disso, temos um site de livre acesso na internet onde todos os resultados podem ser vistos — fala a pesquisadora.

Para mais informações, basta acessar o site http://www.macroprograma1.cnptia.embrapa.br/climapest.