A safra 2009/2010 de pêssego, que acabou de ser colhida no País, não teve bons resultados. É verdade que o fator climático contribuiu muito para a perda de mais de 30% de produção em relação ao ano passado. Novembro, por exemplo, registrou 20 dias de chuva. No entanto, as perdas poderiam ter sido bem menores se os produtores se organizassem e utilizassem as tecnologias disponíveis. O fundamental para que a próxima safra não seja tão ruim quanto esta é que os produtores se preocupem com os cuidados de manejo e retirem agora frutas que ainda ficaram no pomar que estão com podridão. É muito importante que o produtor haja rapidamente e se livre destes frutos contaminados para evitar a disseminação da doença pelo pomar na próxima safra.
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A Embrapa Clima Temperado organizou uma reunião na última terça-feira, dia 6 de abril, com produtores e extensionistas da Emater, para avaliar o que deu errado nesta safra. Eles concluíram que, além do clima, o descuido dos produtores no combate às doenças, a insegurança em relação ao mercado de indústria e a falta de organização foram essenciais. Muitos acabaram não investindo nas tecnologias, mesmo sabendo da existência delas, por acharem que não valeria a pena e os resultados não foram bons. Outros produtores ficaram indecisos e sem saber quanto as indústrias estavam dispostas a pagar pelas frutas.
— Eles contam muito com o mercado de indústria e eu acho que há condições de muitas variedades cultivadas serem comercializadas in natura. Mas, para isso, a organização e o cuidado com a fruta tem que ser muito maior. Acho que tem haver uma busca por mercado e, mesmo na parte da indústria, uma busca por novos produtos que não sejam só o enlatado, porque a tendência, hoje, no mundo é reduzir o consumo do enlatado. Existem outras alternativas como frutas minimamente processadas para salada de frutas, por exemplo. Tem que se buscar novas alternativas, porque senão vamos ter os mesmos problemas de falta de escoamento da safra e de insegurança com o mercado — alerta a pesquisadora Maria do Carmo Bassols Raseira, da Embrapa Clima Temperado.
A maioria dos produtores de pêssego da Região Sul do país são pequenos e a melhor solução para eles neste momento, segundo a pesquisadora, é se unirem e formarem cooperativas. O mercado está indicando uma mudança para o consumo maior de frutas in natura e é a hora dos produtores começarem a investir e buscar novos caminhos. A pesquisadora destaca o crescimento de consumo da fruta de mesa em várias cidades de diferentes Estados brasileiros e não apenas em Curitiba e São Paulo.
— É claro que dá mais trabalho e é mais custoso, mas os produtores precisam se organizar e, em grupos, eles conseguem sim. Existe mercado, é só os produtores fazerem o produto chegar a este nicho. Tem que se investir em uma cadeia de frio, por exemplo, para levar esta fruta até onde o consumidor está. Mercado e formas de fazer há, porque a fruta do Chile e da Argentina chega a vários Estados do Brasil — ensina Maria do Carmo Bassols.
Para investir no pêssego de mesa, os produtores podem explorar novas cultivares. Nos últimos anos, a Embrapa lançou algumas variedades que possuiu excelente sabor e são ideais para o consumo in natura. A Rubimel, lançada em 2007, é uma das melhores opções. Ela tem polpa amarela, é doce, tem baixa acidez, tem a película bastante vermelha e é uma fruta bem redonda. A BRS Kampai, lançada em 2009, foi a primeira cultivar de pêssego protegida no Brasil e tem polpa branca, maturação precoce, é doce e tem boa aparência. A BRS Âmbar, de 2009, foi lançada como tipo indústria, mas também tem sabor agradável e é bastante suculenta e, por isso, pode ser utilizada como fruta de mesa. As cultivares Bonão, de 2007, e BRS Lima, de 2009, são exclusivas para o mercado de indústria. A primeira é de maturação precoce e fruta grande e a segunda é a cultivar mais precoce de pêssego da Embrapa e, por isso, acaba escapando das pragas e doenças, o que é uma grande vantagem.
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