Fases de desenvolvimento do produto para o combate à dengue

O controle da dengue preconiza a utilização de produtos para combater as larvas do mosquito e à busca de novas alternativas

Redação
Doenças

O controle da dengue no Brasil preconiza a utilização de produtos para combater as larvas do mosquito vetor da doença, o A. aegypti. O larvicida habitualmente empregado é o Temefós. Entretanto, seu uso contínuo selecionou populações de mosquitos resistentes, obrigando à busca de novas alternativas.

Uma das opções atualmente é a utilização de biolarvicidas à base de Bacillus thuringiensis em todos os locais onde foram detectadas populações de A. aegypti resistentes ao Temefós.

As vantagens do emprego dessa bactéria são a especificidade, o efeito não poluente, a inocuidade aos mamíferos e vertebrados e a ausência de toxicidade às plantas.

Nesse sentido, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia possui uma coleção de B. thuringiensis de onde foram selecionadas estirpes altamente tóxicas a insetos das ordens Coleoptera, Lepidoptera e Diptera.

Em 2000, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Bthek Biotecnologia Ltda. iniciaram um projeto de desenvolvimento de um biolarvicida para controle de larvas do A. aegypti. Como resultado, surgiu o produto Bt-horus SC, que pode ser utilizado como ferramenta para auxiliar as campanhas de controle da dengue.

Bt-horus SC é uma suspensão concentrada que contém 12 gramas de Bt por litro de produto e apresenta a potência de 1.200 UTI por miligrama de produto comercial. É apresentado em frascos de 30 ml, 250 ml, 1 litro e bombonas de 5 litros.

A aplicação do produto é feita diretamente nos criadouros e seu modo de ação se dá da seguinte maneira: as larvas dos mosquitos ingerem a bactéria que foi aplicada na água; em alguns minutos, a toxina se une a receptores presentes no intestino da larva; após algumas horas, a larva sofre paralisia muscular, seu intestino é destruído e os esporos da bactéria penetram no corpo do inseto; por fim, as larvas dos mosquitos morrem por afogamento e infecção generalizada.

Esse produto foi desenvolvido com tecnologia brasileira e encontra-se registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Ele apresenta eficácia semelhante aos biolarvicidas importados, à base de B. thuringiensis, costumeiramente utilizados no Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde.

A fim de mostrar as fases de desenvolvimento do produto e sua eficácia no controle de larvas de A. aegypti, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia elaborou um documento para apresentar essa pesquisa, que envolveu 1.800 estirpes de B. thuringiensis, e como essas estirpes foram selecionadas por sua toxicidade a larvas do mosquito da dengue, em função da caracterização morfológica, do perfil protéico e da composição gênica.