Fator de emissão de óxido nitroso na cultura do feijoeiro comum

Os resultados indicaram que a emissão acontece de forma abaixo da prevista pelo fator de emissão usado nas orientações do Painel Internacional de Mudanças do Clima

Margareth Santos
Fertilizantes

O fator de emissão para o óxido nitroso foi medido na cultura do feijoeiro comum (Phaseolus vulgaris), cultivar BRS Horizonte, na área de latossolo vermelho distrófico de textura franco argilosa. O experimento ocorreu na fazenda Capivara, da Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás (GO), no bioma do Cerrado, sob irrigação em pivô central. Os resultados indicaram que a emissão de N2O derivada de 80 quilos de nitrogênio por hectare na forma de ureia aplicada na cultura do feijoeiro (terceira safra), acontece de forma abaixo da prevista pelo fator de emissão usado nas orientações para inventário de gases de efeito estufa do Painel Internacional de Mudanças do Clima (IPCC).

Os fluxos de N2O na área não adubada variaram entre -1,1 e 41,9 µg N m h, durante todo o ciclo. Os fluxos mais altos ocorrem após a semeadura. Com adição de uréia, os fluxos variaram entre -1,5 a 42,1  µg N m h. As emissões do solo foram equivalentes a 295 gramas de nitrogênio/óxido nitroso por hectare, na área adubada com 80 quilos de nitrogênio por hectare. Na área não adubada, 198 gramas de nitrogênio por hectare. Assim, 97 gramas de nitrogênio por hectare foram emitidos em função do fertilizante. O fator de emissão seria de 0,12%, cerca de dez vezes menos do que o recomendado pelo IPCC.

Os latossolos são solos minerais, não hidromórficos, profundos (maior que dois metros) e têm propriedades físicas que favorecem a impermeabilidade e o movimento vertical da água, não permitindo as condições anaeróbicas. A cultura foi implantada com fertilização no sulco de fósforo e potássio, e 20 quilos de nitrogênio por hectare, tendo uréia como fonte. Um mês depois, nova fertilização, a lanço, com uréia na dose de 60 quilos de nitrogênio por hectare. O feijão foi plantado numa faixa de cinco metros de largura, sem a aplicação do fertilizante nitrogenado.

As câmaras para coleta de gases foram distribuídas na faixa de dez metros por 15 metros, onde foram realizadas medidas dos fluxos de N2O. Seis delas foram inseridas em área sem fertilização nitrogenada, e seis em área fertilizada. Cada uma é composta por base retangular de 38 centímetros por 58 centímetros de metal, colocada no solo até cinco metros de profundidade, permanecendo intocada no período de avaliação. A concentração da N2O das amostras gás recolhidas é analisada em cromatógrafo a gás, equipado com coluna empacotada contendo Porapak Q e detector de captura de elétrons.


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