Os solos brasileiros apresentam caracteristicamente acidez elevada e a calagem é amplamente usada na agricultura para a neutralização dos efeitos tóxicos dos fatores responsáveis por esse problema no solo, visando o aumento da capacidade produtiva das plantas. Acerca desse assunto, a Embrapa Gado de Leite pesquisa e disponibiliza uma série de informações, dentre elas, a questão da qualidade de calcário.
De acordo com a Embrapa Gado de Leite, ao se avaliar a qualidade de um calcário, deve-se levar em consideração a sua capacidade de neutralizar a acidez do solo (poder de neutralização – PN), a reatividade do material (RE), que considera a natureza geológica e a granulometria, e o teor de nutrientes, especialmente de cálcio e magnésio.
O poder de neutralização avalia o teor de materiais neutralizantes no calcário, ou seja, a capacidade de reação dos ânions presente. Considera-se o carbonato de cálcio (CaCO3) como padrão igual a 100%. A determinação do PN do calcário é feita em laboratório, usando ácido clorídrico, sendo o resultado expresso em porcentagem.
Essa capacidade de neutralizar a acidez que apresenta um calcário também pode ser estimada, aproximadamente, determinando-se os teores de cálcio e de magnésio, teores que se expressam em decagrama por quilograma (dag/kg (%)) de óxidos de cálcio (CaO) e de magnésio (MgO).
A legislação brasileira define que os teores de cálcio e magnésio dos calcários devam ser expressos na forma de óxidos (CaO e MgO). Para poder ser comercializado, o calcário deve ter, no mínimo, 38% de óxido de cálcio e magnésio. O teor e o tipo de elementos que diminuem a acidez e o tempo que levam para fazer efeito no solo são diferentes nos produtos comercializados.
Ainda para se escolher um calcário deve-se considerar sua reatividade, que em parte depende da natureza geológica da rocha. A reatividade depende fundamentalmente da granulometria (finura com que o calcário é moído). A granulometria indica a capacidade de um corretivo reagir no solo, envolvendo a velocidade de reação e o seu efeito residual no solo. Em relação à granulometria, a legislação atual determina as seguintes características mínimas: passar 95% por peneira de dois milímetros de malha, conforme especificação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT Nº 10); 70% por peneira de 0,84 milímetros (ABNT Nº 20); e passar 50% por peneira de 0,30 milímetros (ABNT Nº 50).
Combinando o poder de neutralização (PN) com a reatividade (RE) de um calcário, tem-se o seu poder relativo de neutralização total (PRNT), que estima quanto de calcário irá reagir em um período de aproximadamente três anos.
A legislação especifica quatro faixas de PRNT para efeito de classificação e comercialização de calcário:
Faixa A: com PRNT entre 45,0 e 60,0%.
Faixa B: com PRNT entre 60,1 e 75%,0.
Faixa C: com PRNT entre 75,1 e 90,0%.
Faixa D: com PRNT maior que 90,1%.
Para corrigir a acidez do solo, usa-se mais calcário quanto menor for o seu PRNT. Por exemplo, uma tonelada de calcário com PRNT = 100% equivale a duas toneladas de calcário com PRNT = 50%, por isso é importante verificar os valores de PRNT junto ao provedor de calcário.
Além desses dados, a Embrapa disponibiliza informações sobre acidez e alcalinidade do solo; amostragem do solo; interpretação dos resultados da análise do solo; e sugestões de recomendação de calagem baseadas nos diferentes métodos empregado no Estado de Minas Gerais. Confira mais sobre o assunto, acessando o arquivo em anexo.