Feijão irrigado em baixa altitude: menos dias de lavoura

Regiões de Tocantins, Bahia, Minas Gerais, Piauí e Maranhão podem plantar a leguminosa com 5mm a mais de água por dia, ciclo de 65 dias e menos incidência de pragas e doenças

Juliana Royo
Irrigação

O cultivo de feijão irrigado sob pivô central é relativamente novo no Brasil, mas já é bastante utilizado, principalmente, no Centro-Oeste do país e atinge altas produtividades. A grande novidade, agora, é o cultivo do feijão irrigado sob pivô a baixas altitudes e latitudes, em um sistema diferente do que é feito no planalto central. O conceito de irrigação é o mesmo, no entanto, pelas condições geográficas a leguminosa tem um ciclo bem mais curto, de 65 dias, diferente dos tradicionais 90 dias.

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A grande vantagem é a menor incidência de pragas e doenças, já que a leguminosa fica exposta na lavoura por um período menor. No entanto, é necessário que a irrigação sob pivô seja realizada com 5 mm a mais de água por dia, o que demanda mais energia. No fim, a produtividade é similar a da região do planalto e os custos se equivalem porque se o produtor precisa gastar mais em água, ele gasta bem menos em produtos e manejo contra doenças e pragas, além de colher o feijão mais rápido.

— Normalmente o feijão requer de 250 a 300 mm de água durante todo o ciclo, aqui ele vai receber algo entre 50 e 80 mm a mais. Quando o feijão começa a abrir as flores na região tradicional de altitude nós jogamos 8 mm por dia e aqui é necessário de 10 a 12 mm durante um período. Porém, nós temos uma vantagem aqui na região que compensa essa maior necessidade de água. O ciclo normal do feijão é de 90 dias e aqui ele cai para um ciclo médio de 65 dias, então nós estamos economizando vários dias de água. Aqui, na verdade, acaba sendo mais vantajoso porque como nós temos menos dias de ciclo temos menos incidência de pragas e doenças e menos produtos químicos a serem aplicados, ou seja, menos custo de produção — explica o pesquisador João Kluthcoufki, da Embrapa Arroz e Feijão.

As regiões que podem produzir feijão irrigado sob pivô central de baixa altitude e latitude são o Estado do Tocantins, algumas regiões de Minas Gerais, da Bahia e do Amazonas e os Estados do Piauí e Maranhão. Segundo o pesquisador, as variedades de feijão plantadas nestas regiões são de mais qualidade e de valor para o mercado de exportação. Ele chama os produtores rurais brasileiros de heróis, diz que é preciso continuar investindo em tecnologias que melhorem a vida dos agricultores e acredita que o cultivo irrigado em baixa altitude e latitude possa mudar o cenário do mercado de feijão.

— Se nós formos comparar a irrigação pivô central com a irrigação das várzeas, a do pivô consome mais energia e é mais cara, porém é a mais factível que existe, não há outra opção porque sem essa irrigação nós não estaríamos produzindo feijão nesta época, produziríamos apenas uma safra por ano e com esse sistema produzimos feijão durante todos os meses do ano no país. A irrigação por pivô dá ao Brasil hoje a capacidade de equilíbrio de preço porque o mercado está abastecido o ano inteiro e a grande novidade é esta produção em baixas altitudes, com o plantio de feijões especiais para exportação — comemora João K.