Projeto coordenado pela Embrapa Cerrados, em parceria com as Embrapas Trigo e Arroz e Feijão, tenta colaborar com a autossuficiência do trigo no País (que importa 50% do que consome), propondo viabilizar o trigo sequeiro. Essa espécie não necessita de irrigação e tem custo mais baixo. Apesar da menor produtividade, a área potencial é maior, em torno de milhões de hectares durante a safrinha.
O objetivo da pesquisa é obter genótipos de trigo durante a seca, no período da safrinha. A seleção está sendo realizada no inverno, período sem chuvas e com controle da água por irrigação, buscando materiais para lançamento no verão.
— É feita uma pré-seleção (triagem) na época da safrinha, ou seja, no verão, e durante o inverno, quando não chove, fazemos a seleção buscando materiais tolerantes à seca e eficientes na utilização de água, ou seja, mais grãos produzidos por milímetro de água recebida — explica o pesquisador responsável Walter Quadros Ribeiro Junior.
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"Obtivemos três fenótipos tolerantes, com diferentes mecanismos" |
Os materiais pré-selecionados durante a safrinha foram transportados e receberam, no inverno, a aplicação de água em níveis. Os índices variaram de dez a 600 milímetros, no total de água aplicada durante o ciclo. Nos materiais tolerantes à seca, a queda de produtividade foi menor. Já nos materiais sensíveis à seca, a queda foi drástica. Dessa forma, foram separadas as melhores espécies.
— Nós testamos muitos materiais e obtivemos três fenótipos tolerantes, com diferentes mecanismos. Um deles fabrica cera, que cobre toda a planta e impede a perda de água. Outro tem raízes mais profundas, o que significa que a planta vai buscar a água mais abaixo no solo. E o terceiro apresenta tolerância na folha, quer dizer, com o sistema de controle de perda de água nas folhas — afirma Ribeiro Junior. As perspectivas para o futuro são testar novos acessos, identificar genes e transferí-los para outras espécies e lançar cultivares resistentes ao brusone.
