Fertilizante inteligente: ganhos econômicos e ambientais

Fertilizante de liberação lenta de nitrogênio desenvolvido pela UFPR deve chegar ao mercado em, no máximo, dois anos

Juliana Royo
Nutrição Vegetal

Um produto inédito, batizado de fertilizante inteligente, pode criar um novo paradigma para o agronegócio do Brasil. Desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, o fertilizante tem o objetivo de substituir os atuais fertilizantes solúveis, como a ureia. De acordo com o professor Antônio Salvio Mangrich, coordenador da equipe, a grande diferença é que o novo fertilizante é misturado com argila, o que facilita a sua fixação no solo e evita o desperdício por lixiviação. A mistura não evapora porque suporta até 150ºC sem se degradar e vai sendo diluído aos poucos pela água da chuva e da irrigação. O produto deve chegar ao mercado em dois anos.

|BARRA_AUDIO|

Como o novo fertilizante não é solúvel, há dois benefícios principais: econômico e ambiental. Ele vai custar a mesma coisa do que a ureia, mas vai fixar nas plantas todo o nitrogênio adicionado, sem perdas por causa de evaporação ou chuva. Pelo mesmo motivo (a estrutura diferenciada), ele não vai escorrer para os rios e córregos, evitando a geração de danos ambientais.

— Nós desenvolvemos este fertilizante de liberação lenta para tornar o agronegócio brasileiro economicamente mais viável e ambientalmente mais adequado. A ureia, por exemplo, que é o fertilizante nitrogenado mais usado na agricultura, chega a perder de 60% a 70% com a lixiviação ou por evaporação do calor por ser solúvel. Uma das principais fontes de poluição de água no mundo são os fertilizantes nitrogenados que são lixiviados para lagos, rios e lagoas, tomando todo o oxigênio da água e causando a mortalidade dos animais, como peixes. Eles acabam tornando estas águas praticamente improdutivas e isto não ocorre com o nosso fertilizante — explica o professor.

A expectativa do professor é que o novo fertilizante chegue ao mercado em, no máximo, dois anos. Segundo ele, vai depender da empresa Ouro Fino Negócios, que está negociando a patente e já começou os testes de campo para ter dados conclusivos de produtividade. O produto pode ser usado em qualquer cultura, do pequeno até o grande produtor, desde hortas caseiras até culturas de grandes lavouras.

—  O novo fertilizante é extremamente adequado para o nosso solo, porque desenvolvemos, aqui na Universidade do Paraná, tecnologias para a realidade dos solos brasileiros. O solo brasileiro é muito intemperizado por causa do nosso clima, o que faz dele pobre e com pouca possibilidade de prender os fertilizantes que são adicionados, exceto os de fósforo, mas nitrogênio e potássio têm pouca aderência — diz Mangrich.

"Como o novo feriili-
 zante não é solúvel,
 há dois benefícios
 principais: econômico
 e ambiental"


 Antônio Salvio Mangrich,
 da UFPR