Fósforo auxilia na fotossíntese e minimiza perdas na soja por déficit hídrico

Produção é beneficiada com a introdução de adubação fosfatada nas plantações em acordo com o estresse hídrico controlado

Breno Fonseca
Irrigação

Uma das principais causas da redução de produção da soja é o déficit hídrico. O estudo “Relação entre adubação fosfatada e deficiência hídrica em soja”, do pesquisador Gustavo Maia Souza, da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), demonstra que a adubação correta feita com fósforo pode reduzir perdas. Além da soja, outras culturas poderão se beneficiar do tratamento, como as espécies do gênero Brachiaria.

A cultivar testada foi a IAC-48, bastante utilizada em São Paulo e que possui tolerância à seca, o que favorece o trabalho em condições de déficit hídrico controlado. Em casas de vegetação, um primeiro grupo de plantas envasadas recebeu irrigação constante, com quantidade de água favorável ao desenvolvimento. Já outros exemplares tiveram a irrigação reduzida para ¼ do valor anterior. Gustavo Maia explica que as avaliações foram feitas em função da evapotranspiração da planta, com a medição diária da perda de água. Além disso, foram testadas três doses de fósforo aplicadas no solo (50, 100 e 200 quilos por hectare).

Os equipamentos verificaram ainda a quantidade de carbono assimilada pela planta na fotossíntese e a capacidade de condutância estomática e, ao final do experimento, a biomassa de todas as partes da espécie. Gustavo comenta que o fósforo inserido no solo, nas medidas entre 50 e 100 quilos, favoreceram as respostas fotossintéticas da soja.

— Na verdade, o fósforo não afetou diretamente a capacidade da planta de responder à deficiência hídrica, mas melhorou a resposta após déficit. Isso indica que elas poderiam reassumir a sua capacidade de produção mais rapidamente do que as plantas que não receberam a suplementação. Isso foi causado também em função da melhoria do sistema radicular, permitindo uma recuperação mais rápida do estado hídrico das plantas – ressalta.


Experimentos com outras culturas


Os resultados com forrageiras do capim braquiária foram ainda mais visíveis, apesar de os tratamentos terem sido os mesmos que na soja. A única diferença foi na forma de aplicação da deficiência de água. Na braquiária, a indução foi por suspensão de irrigação e, no caso da soja, por controle de lâmina d'água. As doses de fósforo foram similares, assim como os dados colhidos sobre a fotossíntese e a produção de biomassa.