Fósforo e adubação fosfatada na cultura da soja

Na região do cerrado, onde a escassez de fósforo no solo é um fator limitante à produção de soja, o uso bem sucedido de fertilizantes fosfatados é uma ferramenta importante

Pedro Zuazo
Adubação

Na região do cerrado, a baixa disponibilidade de fósforo dificulta a produção agrícola. Nesse caso, os fertilizantes fosfatados se apresentam como a melhor forma de se obter desenvolvimento vegetal e boa produtividade. A decisão de como se dará a fertilização deve ser baseada na avaliação da disponibilidade de fósforo para soja e milho, que pode ser feita através de dois métodos de extração:

Extrator Mehlich-1: Realizada através de uma solução diluída de ácido clorídrico e ácido sulfúrico, a interpretação de fósforo por esse método considera o teor de argila. Segundo pesquisa da Fundação MS, na camada superficial, os teores considerados adequados para o Mehlich-1 estão na faixa entre 4,1 e 6,0; 8,1 a 12,0; 15,1 a 20,0 e 18,1 a 25,0 miligramas por decímetro cúbico para solos com teores de argila superiores a 60%; entre 36 e 60%; entre 16 e 35% e maiores que 15%, respectivamente. Nestas faixas ou acima delas há menor probabilidade de resposta econômica da adubação.

Para as condições do Mato Grosso do Sul, a Fundação MS definiu os níveis de suficiência do fósforo através de trabalhos de calibração a campo. O experimento foi conduzido por quatro safras, entre 2000 e 2004, em Maracaju (MS), em solo argiloso com baixos teores iniciais de fósforo. Nesse caso, os teores na faixa entre 11,1 e 15,0 miligramas por decímetro cúbico permitiram a obtenção de produtividades de 90% e 100% do rendimento potencial. A produtividade média máxima foi de 65,5 sacas por hectare.

Extração por Resina: A disponiblidade é verificada através da aplicação de resina aniônica e o teor de argila do solo não é considerado para a interpretação. Para esse método, é essencial que o produtor disponha do histórico de utilização dos fosfatos naturais e outras fontes de fósforo parcialmente solúveis. Em artigo publicado, a Fundação MS recomenda como teor adequado 20 miligramas por decímetro cúbico, que permite a obtenção de 90% do rendimento potencial na soja e milho cultivados em sistema de sequeiro. Os teores considerados adequados estão na faixa entre 23,1 e 30 miligramas por decímetro cúbico, na qual a obtenção foi de 90% e 100% do rendimento potencial, respectivamente.

Na tabela, a Fundação MS apresenta a interpretação do fósforo extraído por Mehlich-1 e Resina para soja cultivada em Sistema Plantio Direto:

Interpretação da análise de solo para fósforo extraído por Mehlich-1 e Resina Trocadora de Íons.


Saiba mais sobre o assunto

Adubação fosfatada na soja: definição da dose e modo de aplicação

Adubação fosfatada na soja: fontes de fósforo