Substituir as fossas rudimentares em pequenas propriedades rurais para evitar a contaminação dos lençóis freáticos. Foi com essa finalidade que o pesquisador Antônio Pereira de Novaes, da Embrapa Instrumentação Agropecuária, idealizou a tecnologia da “Fossa séptica biodigestora”, uma forma de resolver um grande problema para as 14 milhões de pessoas que sobrevivem da agricultura familiar: o saneamento básico.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e o Abastecimento, 60% dos agricultores e 75% dos estabelecimentos agrícolas brasileiros são de base familiar. Com as formas subdesenvolvidas de eliminação dos dejetos, as águas subterrâneas e, posteriormente, os poços residenciais acabam recebendo vestígios de urina e fezes, o que gera doenças como a hepatite, cólera e salmonelose. Foi a partir dessas conclusões que Antônio de Novaes iniciou os trabalhos com biodigestores, ainda na década de 1980. O material poderia ser, então, montado em cima de três caixas de mil litros para atender a uma família de cinco pessoas. Em 2002, os experimentos realizados em uma fazenda em Jaboticabal (SP) foram bem sucedidos, levando a tecnologia para outros municípios.
O pesquisador da Embrapa explica que são usadas três caixas de fermentação, interligadas por um sistema de tubos e conexões de 100 milímetros, que funcionam como vasos comunicantes. Antes da entrada da primeira caixa, é colocada uma válvula para a instalação de um balde de esterco bovino diluído em água uma vez por mês. O esterco digere todo o material que entra nas caixas e, ao sair do último compartimento, os resíduos humanos são transformados em um efluente totalmente líquido, isento de mal cheiro e de germes patogênicos.
O efluente estabilizado e sem odores ainda pode ser utilizado para fins agrícolas como adubo orgânico, com baixo custo para o produtor rural e em acordo com o meio ambiente. De acordo com Novaes, na cidade de São Carlos (SP), uma fazenda com 2.500 pés de goiaba passou a colher 400 toneladas da fruta por hectare, sem o menor gasto com adubação, utilizando quatro fossas sépticas biodigestoras. A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) disponibiliza a tecnologia para os proprietários interessados em despoluir córregos e minas d'água em seus sítios.