Fungicida usado na soja é eficaz também no milho

Tratamento de sementes com fluquinconazol, além de controlar fungos de solo, reduz severidade e progresso da ferrugem e da cercosporiose

Pedro Zuazo
Sanidade Vegetal

Uma pesquisa inédita na comunidade científica provou que o tratamento de sementes, além de controlar fungos de solo, pode reduzir a severidade e o progresso de doenças foliares do milho. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) avaliaram, durante 15 meses, oito híbridos comerciais que foram tratados com doses variadas do fluquinconazol, um ingrediente ativo de agrotóxicos. O uso do fungicida, que já se mostrou eficaz no combate às doenças da soja, apresentou o mesmo efeito em relação a duas importantes doenças do milho: a cercosporiose e a ferrugem comum.

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Com o constante surgimento de novas patógenos fúngicos, os melhoristas não medem esforços para desenvolver híbridos resistentes às doenças do milho. De acordo com o professor Fernando Cezar Juliatti, foi essa mesma preocupação que balizou a pesquisa desenvolvida na UFU.

— Após 12 anos trabalhando com o uso de fungicidas na parte aérea e vendo respostas de híbridos em relação ao rendimento produtivo, temos percebido que talvez uma das estratégias para reduzir o impacto de doenças seja o tratamento de sementes com um fungicida que transloque da semente para a plântula, protegendo o milho nos primeiros trinta dias. Com esse trabalho, chegamos a uma forma de reduzir o inóculo de doenças no campo que é barata e acessível permitindo até a maior sanidade da cultura nas fases posteriores de desenvolvimento — explica.

O fluquinconazol, um ingrediente ativo encontrado em fungicidas, foi escolhido por já ser utilizado com essa mesma função na cultura da soja. A técnica é empregada para combater principalmente a ferrugem asiática, reduzindo seu impacto na fase vegetativa e minimizando o desenvolvimento das doenças de final de ciclo. A estratégia é mais barata quando comparada ao tratamento de solo ou à pulverização de áreas extensas.

De acordo com os resultados da pesquisa, o uso do fluquinconazol foi eficaz na redução do progresso tanto da ferrrugem comum quanto da cercosporiose. Segundo o professor Juliatti, além de combater o inóculo primário de fungos, o tratamento não afetou a germinação de sementes e nem o estande da lavoura, mostrando que o fungicida também é seletivo à cultura do milho quando utilizado no tratamento via sementes.

A pesquisa

O trabalho, apresentado no Congresso Brasileiro de Fitopatologia, foi conduzido em Uberlândia (MG). Os pesquisadores avaliaram a eficácia do fluquinconazol no tratamento de oito híbridos comerciais recomendados para a região: 30F35, 30K64, 30S31, 2B604, 2B707, 2B587, DKB177 e DKB455. De maio de 2008 a agosto de 2009, os híbridos foram plantados em blocos, com três repetições, em um espaçamento de 45 centímetros. Foram avaliadas a porcentagem de plântulas emergidas, a incidência, a severidade e evolução das doenças, e também a tolerância dos híbridos à ferrugem comum e à cercosporiose do milho.

Ao final do experimento, o uso de fluquinconazol via sementes se mostrou eficaz para diminuir a severidade e o progresso tanto de cercosporiose como de ferrugem comum na dose de 0,34 gramas a cada 500 gramas de sementes. Na ausência do uso do fungicida, o híbrido que apresentou maior resistência à ferrugem comum foi o DKB177, enquanto os que tiveram pior desempenho de resistência foram os híbridos 30F35 e 30K64.