Muito tem se falado sobre os rumos da agricultura familiar e da sua importância no desenvolvimento das comunidades no Brasil e no mundo, principalmente agora que a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar.
De acordo com dados do relatório “Perspectivas da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Rural nas Américas 2014: uma visão para a América Latina e Caribe”, a agricultura familiar respresenta 77% dos empregos no setor agrícola do Brasil.
A fim de aprofundar essas discussões e encontrar soluções eficazes e sistêmicas para o desenvolvimento rural é que o 10º Congresso da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção trouxe para um dos seus painéis o tema “Qual é o futuro da agricultura familiar no Brasil e na América Latina?”.
Moderado pelo presidente da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção, Rafael Fuentes Llanillo, o painel foi conduzido pelos palestrantes Sérgio Schneider, mestre e professor da Universidade Federal do Rio Grande de Sul (UFRGS), e Cristophe Albaladejo, engenheiro-agrônomo ligado ao Instituto de Pesquisa Agropecuária da França (Inra, na sigla em francês).
Para Schneider, “o futuro da agricultura familiar é muito promissor, mas existem muitos condicionantes que precisamos conhecer e intervir nos limitantes. Agricultura familiar não significa atraso tecnológico, pobreza ou ineficiência, os agricultores familiares são amplamente capazes de tocar empreendimentos e de inserção no mercado”.
Na visão de Schneider, o cenário atual da discussão da agricultura familiar sofre algumas restrições como a hesitação de um duplo movimento: a retomada dos enfoques no campesinato – movimentos sociais e o debate sobre o que fazer com milhões de pequenos produtores.
Schneider completou dizendo que as políticas públicas podem e devem reconhecer o potencial da agricultura familiar e mostrar isso para os países da América Latina como uma opção de desenvolvimento estratégico; fortalecer seus ativos; construir mais e melhores acessos aos mercados; ampliar a autonomia dos agricultores familiares; melhorar a resiliência produtiva dos agricultores; e elaborar políticas de desenvolvimento integral rural, que hoje são muito focadas para o crédito e não para os sistemas de produção.
Fazendo comparações entre os espaços rurais na Argentina, Brasil e França, Albaladejo considerou que a agricultura familiar implica um trabalho constante de negociações para defini-las por meio de políticas públicas. “A agricultura familiar precisa ser vista de um modo sistêmico, como um pacto territorial para construir um sistema de inovação”, completou.