Gargalos na logística do agronegócio aumentam custos de produção no Espírito Santo

Pedágios e multas por excesso de peso por eixo nos veículos estão entre os principais problemas dos produtores capixabas

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Entre os gargalos enfrentados pelo agronegócio no Brasil estão as questões de transporte e logística, que dificultam o escoamento da produção. As condições em que se encontram algumas estradas e rodovias brasileiras somadas às cobranças de pedágios em certos trechos e distorções em regras e leis que emperram o crescimento das atividades agropecuárias prejudicam o desenvolvimento do setor.

No Espírito Santo, a situação não é diferente e uma série de problemas contribui para elevar os custos da mercadoria agrícola, entre eles, o elevado custo dos pedágios. No estado, os motoristas pagam a terceira maior tarifa média por cada 100 quilômetros rodados do país, perdendo apenas para o Rio de Janeiro e São Paulo. Os motoristas de veículos que passam pelas estradas capixabas precisam desembolsar R$ 12,44 a cada trecho de 100 quilômetros percorridos. No Rio, o valor é de R$ 12,93, enquanto em São Paulo a tarifa fica em R$ 12,76.

No Brasil, entre estradas estaduais e federais, o custo médio do pedágio a cada 100 quilômetros é de R$ 9,04, valor que ainda é alto se a média internacional de cobrança, avaliada em R$ 8,80, for considerada. Para o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), Júlio da Silva Rocha Junior, no que se refere ao agronegócio, os altos valores são prejudiciais não só para os produtores, mas também para a população em geral. “A necessidade de pagar tão caro em trechos tão pequenos de estrada reflete diretamente no preço dos produtos ofertados ao consumidor final, prejudicando a competitividade do que é produzido em solo capixaba”, lamenta.

Peso por eixo

Outro ponto que atravanca a logística do agronegócio é a polêmica determinação de peso máximo por eixo dos veículos, que, no Brasil, determina o máximo de 7,5% a cada eixo, enquanto nos demais países membros do Mercosul, a tolerância é de 10%. Mesmo no Brasil, veículos com cargas de origem ou destino a outros países participantes da aliança podem circular com o peso definido em 10%.

A Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio enviou documento ao Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, expondo as reivindicações do setor agropecuário no que diz respeito às regras de fiscalização do peso por eixo, já que durante o percurso dos veículos, vários fatores podem interferir na pesagem da carga, acarretando pesadas multas aos transportadores.

Um dos pontos ressaltados no documento é a movimentação da carga no interior dos veículos de transporte. Assim, mesmo obedecendo a determinação de Peso Bruto Total, os transportadores não têm controle sobre a quantidade de carga sobre cada eixo do veículo durante a viagem. “Ao passar por curvas, obstáculos e mesmo com a movimentação natural do veículo, é mais que esperado que o peso dentro dos caminhões se desloque, inevitavelmente sobrecarregando um ou outro eixo”, declara Júlio Rocha.

A ausência de balanças específicas para detectar a quantidade de peso por eixo nos pontos de embarque somada a vícios de origem nas suspensões de veículos e divergência de balanças aferidas pelo Inmetro são fatores que dificultam o cumprimento das regras e penalizam os transportadores e, consequentemente, produtores e consumidores finais.