As perdas na produção e qualidade de grãos na pós-colheita, principalmente na armazenagem, estão se tornando cada vez mais um grande problema para os produtores no mundo todo. Muitas pesquisas têm se voltado para tentar controlar as pragas que chegam a destruir 20% dos grãos. Atualmente, tecnologias como o uso de gás fosfina e terra de diatomáceas já são utilizadas por alguns produtores, mas apresentam alguns pontos problemáticos. As novas tendências para o controle das pragas na pós-colheita apontam para o uso de gás ozônio, inseticidas botânicos e controle de temperatura dos silos. No Brasil, estas tecnologias ainda estão sendo estudadas e enfrentam problemas como adversidade climática e falta de estrutura adequada nos silos armazenadores.
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A 5ª Conferência Brasileira de Pós-Colheita, que acontece entre os dias 19 a 21 de outubro, na cidade de Foz do Iguaçú, no Paraná, vai discutir estas questões e apresentar resultados de pesquisa sobre as novas tecnologias e o melhor uso daquelas que já são conhecidas pelos produtores. A pesquisadora Lêda Rita D'Antonino Faroni, professora e coordenadora do programa de pós-graduação em engenharia agrícola da Universidade Federal de Viçosa, será uma das palestrantes da conferência. Durante o evento, ela abordar o andamento das pesquisas sobre as novas tecnologias, como elas estão sendo utilizadas em outros países e de que forma podem ser adaptadas para o cenário brasileiro.
— Atualmente, são utilizados produtos químicos fumigantes e inseticidas protetores. Todavia, devido ao número reduzido de fumigantes e inseticidas protetores, as pragas já vêm demonstrando altos níveis de resistências. Uma alternativa aos fumigantes seria a utilização do gás ozônio, resultado de um arranjo de átomos de oxigênio. Ele é um poderoso agente oxidante, altamente tóxico não só para insetos, mas para bactérias, fungos, vírus, protozoários. Estamos trabalhando também com o armazenamento hermético em silo bolsa, controle biológico que ainda não é utilizado no Brasil e inseticidas botânicos, que são produtos naturais provenientes de plantas que têm demonstrado uma boa atividade biológica no controle de pragas de grãos armazenados. Outra possibilidade seria o controle da temperatura e o uso de terra de diatomáceas — explica Lêda.
As novas tecnologias ainda precisam ser mais estudadas e testadas em campo. No caso dos inseticidas botânicos, a chegada de produtos ao mercado pode levar cinco anos. O gás ozônio é a principal aposta da pesquisadora. Os estudos com ele já estão mais avançados e a técnica já é utilizada em outros países, principalmente nos Estados Unidos. Agora, é preciso fazer as adaptações para as condições climáticas e de infraestrutura brasileiras. A aplicação do ozônio deve ser similar ao gás fosfina, que já é utilizado por alguns produtores no Brasil, mas exige vedação completa do ambiente. Lêda explica que a grande vantagem do gás ozônio é que, devido à sua meia-vida, ele degrada muito rápido, dura no máximo 25 a 30 minutos. Com isso, ele tem que ser utilizado em fluxo e não é preciso hermetizar o armazém.
O benefício da não-vedação é muito importante porque as estruturas de armazenagem brasileiras não são capazes de fazer a vedação completa, deixando escapar uma parte do gás. Além de perigoso para a saúde humana e dos animais, o escape de gás tóxico reduz a eficiência do processo. Segundo a pesquisadora, isto já está fazendo com que algumas pragas adquiram resistência à fosfina. Ela diz que alguns estudos mostram que já existem pragas com razão de resistência de 186 vezes ao produto, o que significa que o produtor tem que aplicar uma dose 186 vezes maior do que a recomendada, tornando a tecnologia inviável.

Desafios da nova tecnologia
O gás ozônio resolveria o problema do gás fosfina, já que o ozônio não precisa ser vedado e seu efeito dura alguns minutos. No entanto, ele também apresenta algumas dificuldades de implementação no Brasil porque o processo de ozonificação seca muito os grãos. Nos Estados Unidos, isto não é um problema para os produtores porque, devido às condições climáticas, eles armazenam os grãos com 15% de umidade. No Brasil, os grãos não podem ficar tão úmidos. O grau de umidade chega à metade do usado pelos norte-americanos. Como no processo de ozonificação há secagem dos grãos, eles acabariam ficando mais secos do que o normal ao final da técnica.
— O grande problema é que a gente não tem estruturas para hermetização correta no Brasil, nem os silos de concreto são herméticos porque o concreto é poroso. O silo brasileiro é semi-hermético. Nossa eficiência de fumigação não passa de 60% a 70%. A toxidade do gás ozônio é maior do que a fosfina, o efeito é mais rápido e resolveria este problema. No entanto, enfrentamos um outro problema. Nos EUA, eles armazenam grãos com um teor de água acima do recomendado e eles não têm problema de que o produto seque durante o processo de ozonização. No Brasil, as nossas condições de clima não favorecem a armazenagem de grãos com teor de água acima de 13% e como nós vamos precisar de vazões de ar muito acima das recomendadas para a aeração isso vai levar a uma leve secagem do grão. Isso é um fator que não seria bem aceito pelos gerentes das unidades armazenadoras porque na comercialização de grãos a massa de água também é considerada na massa total — esclarece Lêda.
Uma notícia positiva é para os produtores de trigo. Os moinhos de trigo não têm problema de perda d'água. Então, para eles, a tecnologia já está praticamente pronta para ser usada. A pesquisadora adianta que vários moinhos já entraram em contato interessados em usar a nova tecnologia porque, além de matar os insetos, o gás ozônio tem o poder de branquear a farinha de trigo. O gás já é utilizado, inclusive, para fazer o branqueamento de açúcar e substituir o cloro em algumas situações. A solução para os outros tipos de grãos não ficarem tão secos após a ozonificação é aplicar o gás ozônio antes da secagem, ainda nos silos espera ou chamados silos pulmão. Nesta fase, é possível ozonizar os grãos ainda com alto te