Gaúchos ganham cana-de-açúcar adaptada ao frio

Cultivares são desenvolvidas para o estado do Rio Grande do Sul e prometem produtividade de 100t/ha

Kamila Pitombeira
Melhoramento genético

A cana-de-açúcar é uma cultura não resistente ao frio e pouco resistente à seca. Com base nisso, um projeto realizado pela Embrapa Clima Temperado, em parceria com a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do setor Sucroenergético (Ridesa), visa ao desenvolvimento de cultivares de cana adaptadas ao frio para o Rio Grande do Sul. Segundo Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia, o projeto tem como objetivo avaliar materiais da Ridesa, testar os clones desenvolvidos pelo programa de melhoramento e avaliar a adaptação desses materiais de cana nas diferentes condições dos ambientes de produção do estado. Em relação à produtividade, pelo menos, as avaliações da cultura têm mostrado resultados acima de 100t por hectare.

|BARRA_AUDIO|

— Esse projeto tem gerado alguns resultados interessantes em termos de materiais com maior nível de tolerância. No entanto, esses materiais ainda estão em fase de avaliação e validação — afirma o pesquisador.

Ainda de acordo com ele, o oeste do estado do Rio Grande do Sul tem potencial para a utilização da cultura da cana, com base no zoneamento agroecológico. Esses locais estão sendo alvo de testes que avaliam os materiais oriundos do programa de melhoramento.

— As avaliações de produtividade da cultura têm mostrado resultados acima de 100t por hectare. Já em relação a pragas e doenças, ainda estão sendo feitos levantamentos pelos pesquisadores — conta

Depois que os ensaios forem validados, o sistema de manejo da cana no Rio Grande do Sul contará com algumas peculiaridades, como diz Molinari. Isso vai variar de acordo com cada região, diferentemente das regiões tradicionais de cultivo, como o Centro-sul e o Nordeste.

— Essa etapa, conduzida pela Embrapa em parceria com a Ridesa, vai definir os parâmetros e o sistema adequado de manejo dessas culturas nas condições do estado. Questões como o sistema de plantio, colheita, adaptação de máquinas, longevidade do canavial, retorno econômico, espaçamento adequado e fertilidade do solo são pensadas e trabalhadas na pesquisa — explica o pesquisador.

Para ele, as cultivares ainda precisam de alguns anos de avaliação para só então serem disponibilizadas aos agricultores. Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Agroenergia através do número (61) 3447-4022.