Glicerina pode dobrar potência enegética do biogás

Fonte energética alternativa reduz emissão de poluentes para o meio ambiente e garante benefícios econômicos

Nivea Schunk
Agroenergia

Experimentos avançados, conduzidos pela Biolatina, atestam que a adição de 10% de glicerina ao volume total da massa de substratos animais e vegetais pode dobrar a potência térmica e elétrica provenientes do biogás. O diretor executivo, Wagner Pisciottano, destaca o bom desempenho dos testes piloto com dejetos de matadouros bovinos. Resultados demonstram que, com a utilização da técnica, um frigorífico que abata 800 animais diariamente gera cerca de um mega de energia.

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A empresa conta ainda com projetos importantes voltados para produção de biodiesel derivado de vários tipos de óleos virgens e reutilizados. Essas fontes energéticas alternativas não só reduzem a emissão de poluentes para o meio ambiente, como também garantem significativos benefícios econômicos. Outra vantagem é o reaproveitamento do material restante no biorreator, que pode ser utilizado como fertilizante diretamente nas plantações

— A biodigestão é um processo natural de degradação de matéria orgânica em ambientes sem a presença de oxigênio. É como se colocássemos uma batata, fruta ou um pedaço de carne e dentro de um saco plástico fechado. Depois de um ou dois dias começa o apodrecimento gerando um odor bastante desagradável, que é o biogás. Originalmente é uma mistura de vários gases, mas primamos pela produção de metano, gás mais importante — explica Pisciottano.

O sistema Biolatina consiste na concepção, instalação e operação de unidades produtoras de biogás, a partir da elaboração de cenários econômicos e comprovação da viabilidade técnica da implantação. A equipe de atuação nacional conta com engenheiros para atender os clientes, realizando levantamento de dados, lançados preliminarmente num sistema de modelagem.

— Um aspecto relevante é que a empresa incentiva e tem interesse em ser parceira na geração dessa energia. Dependendo das características da matéria-prima e do tamanho da unidade, o retorno de um empreendimento desses se torna atrativo entre um ano e oito meses e os três anos e meio. É bastante viável. Na Europa, os produtores dividem a utilização de pequenas unidades geradoras de biogás com a comunidade. Toda a energia elétrica é dividida entre os vizinhos — pondera.

"Adição de 10% de
 glicerina a substratos
 animais e vegetais
 pode dobrar a potên-
 cia térmica e elétrica"


 Wagner Pisciottano,
 da Biolatina