A palma de óleo, também conhecida como dendê, é uma cultura muito importante para o Norte do país e uma das matérias-primas mais valorizadas nacionalmente. Grande parte da produção de palma (80%) vai para a indústria alimentícia, 10% para a siderúrgica e 10% para o biodiesel e para incentivar, principalmente, a produção do biocombustível, o presidente Luis Inácio Lula da Silva lançou na quinta-feira, 6 de maio, o Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo no Brasil. O projeto nacional estabelece áreas para a expansão do cultivo (que só serão plantados em áreas já alteradas, não desmatando a floresta) e vai dar uma série de incentivos e financiamentos para os agricultores, principalmente familiares.
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— O programa vem com todo um cuidado especial restringido a expansão da cultura às áreas já antropizadas. Isto quer dizer que não se vai desmatar, não se vai derrubar nenhuma árvore, nenhuma espécie para o plantio da palma. Quero deixar claro que o Brasil tem um grande potencial desta cultura, mas que esta expansão se dá em respeito ao ambiente, em respeito à vegetação nativa, vai se dar sobre áreas já alteradas, já desmatadas. É um programa sustentável que visa também a inclusão dos agricultores familiares — explica a pesquisadora Maria do Rosário, chefe da Embrapa Amazônia ocidental.
O dendezeiro, ou palma de óleo, é cultivado na Região Norte, principalmente na Amazônia, e é uma boa opção de plantio para agricultores familiares da região. Além de o mercado do óleo de dendê estar em franca expansão, a produtividade da palma também é muito boa, chega a seis toneladas por hectare e produz mais óleo do que a soja e a mamona juntas. Segundo a pesquisadora, a empresa Agropalma, maior produtora de óleo de dendê, iniciou um programa de apoio a alguns agricultores assentados e os resultados estão sendo muito bons, com agricultores ganhando mais de R$ 1.500 por mês.
— Nenhuma outra planta consegue uma produtividade tão elevada como essa. A soja tem entre 500 e 600 quilos de óleo por hectare, a mamona entre mil e dois mil quilos por hectare e aí nós temos a palma com produtividade entre quatro mil e seis mil quilos de óleo por hectare ao ano. Além disso, a versatilidade de uso do óleo de dendê é uma coisa espetacular, está em sabonetes, biscoitos e ajuda a melhorar o tempo de prateleira dos produtos — diz a pesquisadora.
O cuidado principal que os produtores devem ter é na escolha de sementes da palma, porque ela é uma cultura que dura de 25 a 30 anos em campo, então uma semente de qualidade, um bom material, é fundamental para que a produtividade e a qualidade do óleo sejam o esperado. Uma ótima possibilidade para o agricultor familiar é plantar culturas consorciadas nas entrelinhas do dendê para amortizar os custos do plantio da palma. Estudos da Embrapa Amazônia Ocidental mostram que diversas culturas têm sido muito bem sucedidas neste propósito.
— Há a possibilidade de o produtor implantar nas entrelinhas, entre uma linha de dendê e outra, as culturas consorciadas durante quatro anos. É possível plantar entre as linhas banana, abacaxi, mandioca e batata doce. A Embrapa Amazônia Ocidental fez um estudo de dendê consorciado com estas culturas e mostrou que elas ajudam no custo de amortização da implantação do dendezeiro e o resultado varia de 70% a 100%, cobrindo o custo de plantação do dendezeiro — comemora Maria do Rosário.
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