O produtor de feijão da Pitanga (PR), Maurício Stipp, entregou 310 sacas de feijão ao Programa de Aquisição do Governo Federal (AGF), aberto em fevereiro. Neste mês ele recebeu se volta a sua documentação com a notícia de que om pagamento não irá acontecer. O Governo parou as compras de feijão a preços mínimos, que deveria ocorrer até outubro.
O gerente operacional da seccional da Companhia Nacional de Abastecimento no Paraná, Valmor Bodin, explicou que a decisão de não adquirir mais feijão foi tomada por estratégia. “Uma pesquisa nossa revelou que os produtores tem plantado como objetivo de vender pro Governo. |Isso ocorre porque o preço mínimo do feijão está atraente, hoje”, argumentou.
O feijão entregue por Stipp está a disposição dele no armazém, mas segundo o produtor, o grão estocado não vale mais o mesmo de quando foi entregue. “Hoje, vou receber no máximo R$ 55, por uma mercadoria que valia muito mais”, conta. “Se eles não iriam pagar, não deveriam nem ter anunciado o programa”, completa.
A diferença entre o preço estipulado pelo governo e o de venda no mercado hoje, no caso do produtor de Pitanga, será de mais de R$ 8 mil. Ele afirma, contudo, que prejuízo vai muito além do dinheiro. Como havia financiado a última safra contando com pagamento do governo, Stipp perdeu o crédito nos bancos. “Não posso mais financiar para plantar. Deveria ter começado a plantar trigo agora. Mas não tinha recursos”, conta.
Por não ter armazéns credenciados em sua cidade, o produtor teve que remover seu feijão até Cruzeiro do Oeste, a 200 quilômetros de distância. E agora, segundo ele, terá que pagar pelos três meses de armazenagem.
Segundo o representante da Conab, este é um procedimento normal. “Enquanto estiver no armazém, o feijão é do produtor. Ele só passa a ser da Conab quando é feito o pagamento. Não é porque eles emitiram a nota em nome da Conab que o Governo já comprou o feijão”, salienta Bodin.
Na visão do representante do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders, o governo tem obrigação de receber todo o feijão que o produtor dispuser. “O produtor para emitir a nota fiscal precisa colocar o grão nas condições exigidas e, para isso, tem despesas de até R$10 por saca”, explicou. “O Governo deveria amparar, mas quando muda o jogo e diz que não vai receber causa prejuízos grandes ao produtor”, analisa.
Desde o início do programa, 20 mil toneladas de feijão foram adquiridas, mas não se sabe quanto não será comprado. “Nós nem chegamos a processar os documentos, por isso não sabemos o total deste volume”, afirma o representante da Conab/PR.
A Conab afirmou que está estudando outra maneira de estimular os produtores a plantarem somente para o consumo interno. Uma das alternativas é a redução do preço mínimo.
Nenhum anuncio oficial foi lançado pelo órgão avisando sobre a finalização da operação de compra.