O monitoramento das pragas do milho é fundamental para fazer o controle correto. A principal ferramenta dos produtores contra o ataque dos insetos é a armadilha com ferormônio, um hormônio sexual que atrai os machos e indica a infestação de pragas na lavoura. Quando a armadilha capturar três insetos significa que está na hora de iniciar o controle contra as mariposas e a lagarta-do-cartucho. A armadilha é importante porque combate os insetos ainda na fase adulta antes deles depositarem as larvas que vão causar os danos ao milho. Com isso, a eficiência do controle é alta, o produtor não tem problemas de ataques e não desperdiça o uso de inseticidas. O ideal é que as aplicações sejam feitas 10 dias após a captura dos três insetos na armadilha. No caso dos produtores que fazem o controle biológico, a armadilha serve para indicar quando eles devem soltar as vespinhas no campo.
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— A hora de colocar esta armadilha com ferormônio no campo é logo após o plantio. Esta armadilha tem a vantagem de capturar os adultos antes que eles coloquem os ovos. Ela começa a exalar o perfume que corresponde ao hormônio natural produzido pelas fêmeas. Assim que ele capturar 3 insetos ele deve aplicar o inseticida 10 dias após essa captura. Deve esperar estes 10 dias para dar tempo da lagarta crescer e o resultado ser eficiente com alta mortalidade. O produto químico a ser escolhido deve ser seletivo. A recomendação é o uso de uma armadilha para monitoramento de cada 5 hectares. No caso do produtor orgânico ou que não gosta de usar químicos, ele pode comprar no mercado brasileiro vespinhas para fazer o controle biológico. A armadilha de ferormônio é comercial, o produtor já compra ela pronta — explica Ivan Cruz, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.
Cruz ressalta que mesmo os produtores que plantam o milho transgênico devem usar a armadilha de ferormônio porque ela pode monitorar a eficiência da transgenia e, principalmente, porque os produtores são obrigados pela lei brasileira a plantarem 10% da área com milho convencional, a chamada área de refúgio. Outro alerta é dado aos produtores que não seguirem o zoneamento climático e precisarem plantar o milho atrasado. Neste caso, a incidência de pragas é muito maior e se dá logo no início da lavoura. Estes produtores devem usar a armadilha para não perderem tempo no controle dos insetos. Assim que o plantio terminar, as armadilhas devem ser montadas a cada 5 hectares.
Tratamento de sementes
A armadilha de ferormônio é uma tecnologia verde, eficaz e barata. Mas ela só serve para monitorar alguns insetos e o milho não é atacado apenas pela lagarta do cartucho ou por outros insetos mastigadores. As pragas de sementes e de plântula também são capazes de causar grandes danos e matar a planta porque comem as sementes ou raízes emergentes do milho impedindo a planta de se desenvolver. Neste caso, todos os produtores, usando transgênico ou não, devem fazer o tratamento químico de sementes de milho.
Cruz diz que o tratamento de sementes é o primeiro passo no controle das pragas e explica que, infelizmente, as pesquisas com métodos alternativos ainda não surtiram efeito contra os prejuízos causados pelos insetos de hábitos subterrâneo. As principais pragas de plântula são a lagarta elasmo e a tripes e as principais pragas de sementes são os cupins, o bicho bolo ou coró, o percevejo castanho, percevejo preto, larva angorá e as cochonilhas. Nenhuma destas pragas pode ser controlada após o plantio.
