Bacillus thuringiensis (Bt) é o agente microbiano mais usado em todo o mundo no controle de insetos-praga agrícolas. A toxicidade desta bactéria para insetos e outros invertebrados é atribuída principalmente às proteínas Cry e Cyt. Além destas, algumas estirpes de Bt produzem proteínas inseticidas (Vip), as quais não têm homologia de sequência ou estrutura com as toxinas Cry ou Cyt.
Na primeira classe de proteínas Vip, a Vip3A consiste em uma proteína de 88,5 kDa e é ativa contra um amplo espectro de insetos lepidópteros. A segunda classe consiste de um sistema binário composto de duas proteínas, Vip1 e Vip2, as quais têm 100 kDa e 52 kDa, respectivamente, e são tóxicas para certas espécies de coleópteros.
No Brasil, pesquisas com toxinas Vip3 estão apenas começando, mas há estudo da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF), onde foram selecionadas 31 estirpes brasileiras de Bt para serem investigadas quanto à presença dessa proteína.
Essas estirpes já haviam sido caracterizadas quanto à presença de genes e proteínas Cry e quanto à patogenicidade, apresentando elevada toxicidade para a lagarta da soja, Anticarsia gemmatalis (Lepidoptera: Noctuidae) e a lagarta do cartucho-do-milho, S. frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae).
A busca por genes Vip3 nas 31 estirpes selecionadas foi realizada através de marcadores moleculares PCR, extração de proteínas secretadas, análise das proteínas por SDS-PAGE e bioensaios.
Através da prospecção por PCR, genes Vip3 foram detectados em oito estirpes. Os fragmentos de PCR foram sequenciados e apresentaram elevada identidade de sequência (mais de 95%) com genes Vip3A publicados. A análise por SDS-PAGE mostrou a presença de proteínas de aproximadamente 80 kDA, correspondente à massa molecular para Vip3A.
Nos bioensaios de avaliação com o uso das frações acima processadas, as proteínas das oito estirpes positivas não mostraram toxicidade para A. gemmatalis. As proteínas de duas estirpes, S234 e S711, mostraram atividade moderada contra S. frugiperda. Estas proteínas serão melhor investigadas, visando seu uso para o controle de insetos.
No que diz respeito ao emprego de Vip3A para o controle de insetos-pragas, vale lembrar que já existem linhagens de culturas transgênicas de algodão e de milho, expressando essa proteína e que já estão em fase de testes de campo desde 2005 nos EUA e na Austrália. Há também avaliações de campo que conjugam a proteína Vip3A e as proteínas Cry em linhagens transgênicas de algodão e milho.