Identificação pelo focinho

Pesquisadores tentam comprovar padrão único do focinho a fim de identificar animais por biometria e revolucionar rastreabilidade em bovinos

Nivea Schunk
Manejo

Novidade entre as tecnologias apresentadas no próximo Simpósio de Produção de Gado de Corte (Simcorte), uma alternativa de identificação animal por biometria vem sendo testada pela Universidade de São Paulo (USP). Ernane José Xavier Costa, professor da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, coordena o trabalho que propõe a impressão do focinho de bovinos nelore como método de rastreabilidade nos rebanhos brasileiros. A médio prazo, o objetivo é desenvolver um equipamento para substituir os dispositivos eletrônicos, diminuindo consideravelmente o custo de produção para os criadores.

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— Para comprovar que o padrão do focinho é único, colhemos várias imagens do focinho dos animais. Estamos mostrando que entre bovinos da mesma idade as diferenças de ranhuras são visualmente perceptíveis. A etapa atual do projeto, que é uma dissertação de mestrado de uma zootecnista da USP, é exatamente reiterar que cada animal tem um padrão de focinho que difere dos outros. A próxima etapa é saber se focinho mantém as mesmas característica com o passar do tempo. Já temos imagens de animais em diferentes idades e estamos estudando a ocorrência de mudanças — revela.

Os experimentos, realizados na fazenda experimental da instituição, são feitos no momento do manejo rotineiro dos animais. A equipe fotografa os recém-nascidos, depois aos 12 meses e finalmente aos dois anos. O procedimento ocorre rapidamente, no momento em que o animal passa no brete, e conta com um aparato que garante a mesma distância entre as fotos. Retirado os artefatos e ruídos no computador, as imagens são postas em programas computacionais e matemáticos para gerar informação. A caracterização de cada indivíduo se dá por meio do processamento desses dados.

— Precisamos responder o quanto vai mudar e onerar o processo de manejo para fotografar o focinho. A próxima fase vai tratar da adaptação do tronco, local onde o produtor deverá manipular essa tecnologia. Resolvido esse aspecto, a alternativa será mais bem assimilada pelo produtor, que vai compreender a importância de se ter apenas um mecanismo capaz de identificar todo o rebanho — explica.

O professor comenta que uma limitação comum no campo é que para haver aceitação de novas tecnologias não basta funcionar, tem que parecer que funciona. E, nesse caso, o desafio é que, além do animal não poder ficar muito tempo no brete, a fotografia não deve desprender mais mão-de-obra. Segundo ele, essa parte da pesquisa deve levar cerca de quatro anos, mas um dos caminhos para viabilizar o acesso ao método biométrico seria usar um jogo de espelhos conjugado a mais de uma câmera.