O alcance da segurança alimentar está em quatro dimensões fundamentais: a estabilidade, a disponibilidade, o acesso e a utilização de alimentos. A Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) define que segurança alimentar é: “A situação que existe quando todas as pessoas, em todos os momentos, têm acesso físico, social e econômico a alimentos suficientes, seguros e nutritivos que atendam suas necessidades dietéticas e preferências alimentares para uma vida ativa e saudável". Nem toda a produção agrícola é dedicada à segurança alimentar, mas há uma diversidade de espécies e um ambiente propício, especialmente em algumas regiões do País, que precisa ser aproveitado, como o Estado do Rio Grande do Sul.
Uma das formas de aproveitamento desta agrobiodiversidade são as sementes crioulas, que conservadas, promovem segurança alimentar. Segundo o pesquisador Irajá Antunes, as sementes crioulas se originaram de um conjunto de plantas mantidas pelo mesmo agricultor ao longo de anos e que estão perfeitamente adaptadas naquele ambiente em que vivem. “A ideia é mostrar as experiências de produtores, com seus conhecimentos sobre sementes crioulas, como os índios”, explicou.
Nestes últimos dois anos tem sido feita esta reflexão, quando se realiza o Seminário Agrobiodiversidade e Segurança Alimentar, numa promoção da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas (RS) e a Emater/RS, com apoio da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo do RS.
Nesta edição, o destaque do evento será o painel As sementes crioulas e a questão indígena. Serão mostradas as ações na visão dos Guaranis e do grupo Krahôs. A visão da extensão rural no Estado vai tratar as sementes crioulas sob a cultura indígena. Como colaboração às vivências nesta temática, os agricultores familiares vão falar sobre as sementes crioulas e suas perspectivas na Bionatur e na União das Associações Comunitárias do Interior de Canguçu (Unaic).
O evento, realizado entre os dias 25 e 26 de julho, no auditório Ailton Raseira, da Embrapa Clima Temperado terá três palestras de abertura. A primeira será sobre Agrobiodiversidade e Segurança Alimentar – Visão da Embrapa, com o diretor de Transferência de Tecnologia, Waldyr Stumpf Jr; a segunda tratará do Plano Nacional de Agroecologia e Agricultura Orgânica (Planapo), com o representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Rogério Dias; e última palestra será sobre As Sementes Crioulas na visão do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), com o Frei Sergio Gorgen.
O segundo dia do evento reservará espaço para discussão da produção e comercialização das sementes crioulas sob a ótica das formas organizativas dos guardiões de sementes. O Seminário tem recursos patrocinados pelo Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento do Estado do RS e Fundação de Apoio à Pesquisa Edmundo Gastal (Fapeg).