Impactos ambientais da produção de girassol na obtenção de biocombustíveis

Embrapa realiza curso e dia de campo para capacitação de produtores de oleoginosas com a intenção de oferecer ferramentas que garantam a sustentabilidade das plantações

Breno Fonseca
Agricultura Sustentável

Com o aumento do cultivo de girassol, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, durante a safrinha, a equipe do Projeto de Pesquisa em Rede sobre Biodiesel da Embrapa promove, entre 24 e 25 de novembro, capacitação sobre os impactos ambientais da produção de girassol na obtenção de biocombustíveis. O objetivo é a transferência de conhecimento e ferramentas a produtores rurais, gestores públicos e comunitários, agroindustriais e pesquisadores. Além disso, o curso vai abordar as perspectivas do mercado e a realidade dos estabelecimentos rurais.

Organizador do evento, o pesquisador Cláudio César de Almeida Buschinelli conta que a Embrapa Meio Ambiente vem desenvolvendo metodologias de avaliação de impactos ambientais de atividades agrícolas desde 1992. Em 2007, iniciou-se os trabalhos com dendê, mamona, soja e canola. Já a pesquisa com girassol começou por conta do elevado teor de óleo (38% a 47%) e da facilidade de extração da planta, o que facilita a produção do biodiesel mas levanta questões relacionadas ao uso extensivo de terras para a geração de energia e à sustentabilidade da expansão das plantações.

O uso extensivo de
terras pode causar
impactos negativos
no meio ambiente

Cláudio Buschinelli explica que a metodologia utilizada no projeto é a Avaliação de Impacto de Inovações Tecnológicas (Ambitec), aplicada nos estudos da cadeia produtiva de oleoginosas geradoras de biodiesel, e o sistema de Avaliação Ponderada de Impacto Ambiental de Atividades do Novo Rural (APOIA-Novo Rural), ferramenta de análise dos estabelecimentos rurais e de orientação da gestão ambiental.

— A importância dos estudos é que as ferramentas têm indicadores de sustentabilidade que são integrados, indicadores de várias dimensões do ambiente (ecológicas, sociais, econômicas), que dão ideia do impacto ambiental que a atividade produtiva está causando. Eles demonstram onde existe problema e, a partir daí, cria-se estratégias para reduzir as influências ambientais negativas que foram diagnosticadas através da alteração do sistema de manejo – ressalta Cláudio.


Aplicação prática

Os principais problemas enfrentados pelos agricultores na cultura do girassol, segundo o pesquisador da Embrapa, são a falta de produtos registrados para controle fitossanitário, as dificuldades de semeadura por conta da necessidade de melhor classificação das sementes, o ataque de pássaros em áreas pequenas e a comercialização do produto. Os resultados da pesquisa já detectaram técnicas para controle de aves predadoras, para análise das condições climáticas favoráveis a doenças, dos benefícios do cultivo em sistemas integrados e consorciados, da tolerância à alternaria e da atenção aos herbicidas.

Os resultados da pesquisa da Embrapa Meio Ambiente ainda revelam que, após três anos de estudo, já é possível avaliar a cultura do girassol em São Paulo. Na safra de 2007/08, foram plantados 1.055 hectares em todo o estado. Já em 2008/09, a área de aproximadamente 1.100 hectares produziu média de 1.300 quilos por hectare. Ou seja, aponta-se para a redução das plantações, por conta de todos os cuidados necessários ao girassol.