De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), das 68,7 milhões de toneladas produzidas no Brasil em 2010 cerca de 35% das sementes utilizadas para o plantio da soja são não transgênicas. Por conta disso, uma parceria entre a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), a Associação Brasileira de Produtores de Grãos não Geneticamente Modificados (Abrange) e a Embrapa deu origem ao Programa Soja Livre, que será desenvolvido no Estado do Mato Grosso, maior produtor do país. O objetivo é incentivar o cultivo e a comercialização da soja convencional, para alcançar, sobretudo, o mercado externo.
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Para a safra de 2010/2011 estima-se que a produção de soja chegue a 18,82 milhões de toneladas na região matogrossense. Desse valor, 4,71 milhões serão frutos de variedades tradicionais. O programa, então, prevê a instalação de 24 Unidades Demonstrativas (UDs) e de 18 Áreas Demonstrativas (ADs) com a avaliação de 17 cultivares não transgênicas que serão apresentadas aos produtores rurais em 16 dias de campo ao longo de toda a safra de verão.
Segundo Alexandre Cattelan, chefe geral da Embrapa Soja, localizada em Londrina (PR), o potencial de produtos oriundos de materiais transgênicos e convencionais é semelhantes. No entanto, devido à demanda dos mercados europeu e asiático pelos grãos tradicionais, as empresas que estão em contato com o mercado externo irão oferecer aos sojicultores valor adicional de R$1,60 a R$2 por saca convencional. Alexandre ainda conta que a primeira soja transgênica liberada no país foi a RR e que o avanço do cultivo de produtos geneticamente modificados ocorreu por conta de uma série de problemas com ervas daninhas na Região Sul.
— Isso facilitou o manejo da lavoura por conta do custo da produção, na época, ser menor. É importante que haja um equilíbrio da agricultura transgênica e convencional, já que existe nicho de mercado para ambos. No Programa, apresentaremos 17 cultivares que são tolerantes à chuva na colheita, um problema do Centro-Oeste, aos principais tipos de nematóides recorrentes no solo e que possuem alto potencial produtivo, com resistência à ferrugem e a outras doenças — ressalta Alexandre Cattelan.
Ricardo Tatesuzi de Sousa, diretor executivo da Abrange, que congrega agroindústrias processadoras, empresas de certificação e outros elos da cadeia produtiva, adianta que uma questão importante dentro do Programa Soja Livre é manter uma linha forte e competitiva com rentabilidade e produtividade.
— Hoje, muitos agricultores tem dificuldade de encontrar as cultivares convencionais. O trabalho que fizemos a pedido dos produtores de soja junto à Embrapa foi justamente para garantir o acesso a esse tipo de sementes. O Brasil pode oferecer o que o mercado quiser. Pelo tamanho da sua extensão agrícola, pelas suas indústrias e esmagadoras que garantem os grãos tradicionais, não existe dúvida com relação à capacidade de produção — conclui.
Os municípios que receberão as UDs e ADs no Mato Grosso são Água Boa, Canarana, Querência, Brasnorte, Diamantino, Santa Rita do Trivelato, Sinop, Campo Novo do Parecis, Lucas do Rio Verde, Sapezal, Campos de Julio, Novas Mutum e Sorriso. O diretor técnico da Abrange, Ivan Paghi, diz que essas cidades são pólos da sojicultura no MT.
— Na região médio norte, existe um nicho de mercado de 60% de soja convencional. Já no oeste matogrossense, esse valor sobe para 80%. Nesse primeiro ano, o Programa está centrado nesses pólos. Mas a intenção é levar para todo o país, dependendo do interesse das associações, dos agricultores, das trades. Basta haver a mobilização. Maranhão, Piauí e Goiás podem ser os próximos — declara Ivan.
Os agricultores interessados no Programa Soja Livre devem entrar em contato com a Aprosoja pelo telefone (65) 3644-4215, com a Abrange pelo (11) 2892-7101 ou a Embrapa Soja pelo número (43) 3371 6000.
