Inoculante reduz a aplicação de fertilizante na cultura do milho

Há uma redução de 7,5% na produção da cultura, sem perda de produtividade

Margareth Santos
Nutrição Vegetal

Estudo desenvolvido pela Embrapa Agrobiologia, no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Roraima, em parceria com as Embrapas Cerrados, Milho e Sorgo e Roraima, pode facilitar a vida dos produtores do milho, assim como já ocorre com a soja, o trigo e a cana-de-açúcar. A pesquisa consiste na seleção de bactérias fixadoras de nitrogênio, ou seja, aquelas que capturam o nitrogênio do ar, indisponível para as plantas e o transformam de modo que as plantas consigam assimilá-lo, reduzindo a aplicação do componente e mantendo a produtividade.

— O processo acontece por meio da enzima nitrogenase. As bactérias, da coleção laboratorial da instituição, são aplicadas nas plantas de maneira individual ou com a mistura de micro-organismos. Depois, verificamos as que promovem maior crescimento e produção de grãos na presença de doses menores de nitrogênio. Essas bactérias fazem isso gratuitamente, uma vez que estão vivendo em associação com as plantas — explica a pesquisadora responsável, Verônica Reis.

Plantação de milho com uso do inoculante biológico

O principal objetivo da pesquisa foi reduzir os custos de produção e tornar a agricultura cada vez mais rentável. Intencionava também diminuir a quantidade de nitrogênio aplicado, pelo menos, à metade. No caso da soja, a pesquisa mostra redução de 100%, indicando que não se faz necessária nenhuma aplicação de nitrogênio.

— Selecionamos as estirpes, após longo processo, e começamos com número elevado de indivíduos. Testamos em casa de vegetação e os melhores são levados para o campo, aplicados em rede de ensaios com diversos solos e condições climáticas diferentes, usando material genético produzido pela própria empresa. Separamos as variedades que melhor respondem ao híbrido, ou à bactéria, e recomendamos ao produtor – conclui a pesquisadora.

Inocular o milho resulta numa redução de 7,5% na produção da cultura, pela aplicação da bactéria viva e a colonização da planta. No milho safrinha, que tem maior risco de produção, foi constatada a redução de 50% das doses do nitrogênio, mantendo a produtividade, já que as bactérias, que têm forte ação no sistema radicular, também aumentam a área de absorção de água.